Stranger Things: Spoilers, Teorias e Opiniões

 

Sim, tecnicamente estou atrasada para a festa, mas a primeira temporada estreou em outubro (acho eu…), portanto, vamos fazer de conta que é por isso que só estou a falar disto agora.

Apesar de ter gostado da segunda temporada, esta terceira temporada foi claramente superior, apesar de cair nalguns clichés de que eu não gosto, mas já lá chego. Nesta temporada introduziram personagens novas, mas foram poucas e muito bem desenvolvidas, o que fez com que nos importássemos com elas e com o seu bem-estar. A Robin é uma personagem fantástica, e o Alexei é perfeito. Como tal, é claro que pelo menos um deles tinha que morrer, para continuar com a tradição da série de me fazer chorar pelo menos uma vez, e de eliminar uma das melhores personagens. Sim, estou frustrada, obrigada por repararem. E infelizmente a minha frustração não se fica por aqui.

Eu sei, eu sei, aquilo que capturou todos os fãs foi a lealdade a todas as homenagens e clichés dos filmes dos anos 80, incluindo partes na primeira temporada que me fizeram pensar que o Ridley Scott ia processar alguém. Mas acho que nesta temporada os criadores se encostaram demasiado a esses clichés. Ao contrário das temporadas anteriores, onde os clichés estavam patentes na direção do enredo, e nos desafios que as personagens enfrentavam, nesta temporada os clichés manifestaram-se nas personagens, e isso fez-me muita impressão, sobretudo com a personagem do Hopper.

Uma das coisas que eu mais adorava no Hopper era precisamente o facto dele não ser um cliché. Sim, encaixava-se no molde dum protagonista de um filme de ação dos anos 80, com a tragédia familiar, o gosto pela bebida e a tendência para falar com os punhos quando está sob pressão. Mas em termos psicológicos, aliás, em termos emocionais, o Hopper mostrou ser uma pessoa extremamente equilibrada. Por mais motivos que ele tivesse para duvidar da Joyce ao início, ele acabou por perceber, e mais do que isso, respeitar as opiniões e os instintos dela. E por mais difícil que fosse criar a 11, como é que o Hopper regrediu de falar abertamente com ela e respeitar a sua autonomia, desde que ela tivesse cuidado e não lhe escondesse as coisas, na segunda temporada, para uma caricatura dum pai demasiado protetor da filha, que ameaça o namorado dela e não consegue perceber o conceito de partilha de sentimentos? E a insistência dele com a Joyce? Quando ela lhe diz que não, diretamente, e ele acha que isso significa outra coisa, e depois se zanga com ela porque ele interpretou tudo mal?? E é claro que a Joyce gosta dele na mesma, apesar de ele ter feito de tudo para deixar de merecer a consideração dela.

Nah, não gosto disso.

Se calhar é por causa da minha frustração com esta personagem que, vou dizê-lo, não me importava que ele tivesse realmente morrido nesta temporada. Aliás, não me importava que isto fosse o final da série. Era um final em aberto, onde podíamos ter esperança e imaginar as próximas aventuras das personagens, e dar-lhes finais felizes. Mesmo com a cena do final na Rússia (já falo mais sobre isso), eu podia imaginar que acontecia um desastre tipo Chernobyl, e que aquela malta ficava toda soterrada, Demogorgon e tudo. Mas não, parece que já temos uma quarta temporada comprovada. Eu percebo, ainda há pontas soltas, inclusive de outras temporadas, mas não seria o que eu considero um mau final.

Tirando o Hopper, adorei a progressão das personagens. O Steve continuou a ser uma mãe solteira de múltiplas crianças, mas permitiu-se fazer amigos mais próximos da sua idade outra vez, com a Robin, uma personagem que podia ser irritante de tão conveniente, mas da qual é mesmo muito fácil gostar.

A Nancy continuou a afirmar-se e a enfrentar quem estava errado, porque ela sabia que tinha razão, e até voltou a aproximar-se da sua mãe. Acho que a Nancy é a personagem mais consistente ao longo das três temporadas, foi gradualmente perdendo o medo de se impor, e quando confrontada com um ambiente que lhe exigia que ela voltasse a encolher-se, ela recusou. Só tenho pena que não tenham explorado mais os pais das personagens, sobretudo a mãe da Nancy e do Mike, acho que ela iria encontrar forças para apoiar os filhos nas suas maluquices perigosas (mesmo que passasse o tempo todo a dar-lhes sermões).

O Johnathan…foi mais chato nesta temporada, mais céptico, mas por uma boa razão. A mãe está sozinha outra vez, ele não tinha dinheiro para ir para a faculdade, conseguiu um emprego de que gosta; e a Nancy tenta arrastá-lo de volta para circunstâncias que, apesar de os terem juntado, o lembram de momentos horríveis, sobretudo porque envolveram o irmão dele. O Jonathan tem algo que se assemelha com segurança pela primeira vez em muito tempo, eu percebo que ele não queira perder isso.

O Will esteve perfeito, tendo em conta aquilo por que ele passou nas temporadas anteriores. O Will ficou traumatizado, física e psicologicamente, várias vezes seguidas; é claro que ele quer recuperar o tempo perdido. Portanto, em comparação com o resto dos seus amigos, é claro que o Will é mais “infantil” – qualquer mudança ao modo como as coisas eram significa coisas más, significa mais isolamento, que por sua vez significa mais traumas e coisas horríveis para ele. O Will quer sentir-se seguro. Mas teve que aprender que a ausência de mudanças não é o mesmo que a ausência de problemas.

 A Max continuou a ser fantástica. A impulsividade dela vinha sempre duma preocupação com os outros, especialmente com a 11, e em função disso nem é irritante, nem tem consequências tão graves como teria doutra forma. A relação dela com o Lucas enervava-me um bocadinho, mas isso pode dever-se a quantos casais como eles eu conheço, e ao quanto a dinâmica do “casa/descasa” me irrita. E temos ainda a questão do Billy. O Billy cuja cabeça ela ameaçou rebentar se ele não parasse na última temporada. O Billy que a ameaçava constantemente. O Billy que teve a “redenção” mais rasca que eu vi em muito tempo. “Ah e tal, é porque a mãe morreu e o pai era mau para ele”. Que o pai do Billy era uma das poucas personagens piores do que ele nós já sabíamos? Não percebo qual foi a necessidade disto. E embora perceba a preocupação da Max – ela sabe como é que o pai dele é, afinal de contas – não percebo a intensidade dessa preocupação. Pelo menos não ao ponto do Mindflayer a conseguir enganar ao ponto de a fazer sentir pena dele. Apesar de tudo, o facto de ser possuído pelo Mindflayer ser a única coisa capaz de tirar a sociopatia do Billy à chapada foi uma coisa que eu adorei. Não, não tenho pena nenhuma dele. Apesar de gostar muito do ator.

A relação entre o Mike e a 11…honestamente, é a progressão natural destes dois. A 11 pode finalmente viver sem preocupações, finalmente pode estar com Mike, e é claro que não quer fazer nada sem ser isso. O Mike é basicamente o mundo dela. Ela nunca se relacionou muito com o resto do grupo, por isso é claro que se colou ao Mike. E é claro que, mais tarde ou mais cedo, isso ia acabar mal. A 11 teve que aprender que existe vida para além do namorado, e a Max foi a melhor maneira dela descobrir isso.

Quanto ao Mike…também percebo o ponto de vista dele. Ele achou que tinha perdido a 11, mesmo que se tentasse convencer todos os dias que isso não aconteceu; é claro que ele não a queria perder outra vez, é claro que ele ia ficar demasiado protetor dela, independentemente de quantas vezes ela o salvou a ele (e provavelmente o resto do mundo).

 

Sim, ainda não ultrapassei o que aconteceu ao Bob.

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RIP Bob.

 

E agora: vamos às teorias!

  1. Como é que os Russos descobriram o Upside Down?

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Eu acho que há dois fatores em jogo: primeiro, o enredo clássico dos EUA contra a Rússia, e espionagem e etc. Segundo, o Americano prisioneiro dos Russos no final do episódio. Há pessoas que pensam que o Americano é o Hopper. Sim, nós convenientemente não vimos o Hopper ser desintegrado, e é possível (aliás, extremamente provável) que ele tenha saltado da ponte e sobrevivido. MAS! Não me parece que o Americano seja o Hopper.

Eu acho que o Americano é o Dr. Brenner, o “pai” da 11. Pensem, a presença dele junta os pontos todos: os Russos, mesmo que já tivessem começado sozinhos, passaram a ser guiados por ele, avançando assim mais rápido do que os Americanos; Sabiam da existência de Demogorgons, tendo em conta o tamanho da jaula que vimos na base secreta, e só podiam saber disto se o Brenner lhes tivesse dito, porque as formas evoluídas do Demogorgon foram todas destruídas na segunda temporada (ou será que foram? – já lá chego); sabiam que o primeiro portal estava em Hawkins – uma base que, mesmo depois de fechada, nunca foi oficialmente exposta, numa localidade pequena; e o Americano era claramente importante para eles. O Hopper não podia ser tão importante, até porque ele não ia colaborar com os Russos assim na boa.

  1. Como é que os Russos arranjaram um Demogorgon?

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Então. Lembram-se do Demodog do Dustin? O D’Artagnan? Eu acho que ele cresceu e amadureceu até se tornar na versão adulta do Demodog: o Demogorgon.

O D’Artagnan não era como os outros Demodogs, ele conseguiu resistir ao controlo da hive-mind do Mindflayer, muito provavelmente por causa do carinho e atenção do Dustin para com ele.

Segundo a minha teoria, como o D’Artagnan se conseguiu separar do Mindflayer, quando ele morreu, ele foi capaz de sobreviver, provavelmente a caçar na floresta, ou nos túneis. Também há a questão do Mindflayer não ter sido completamente eliminado, o que podia, indiretamente, uma vez que o D’Artagnan já não estava sob o seu controlo, ter ajudado à sobrevivência do Demodog.

O Brenner informou os Russos sobre o Demogorgon e sobre Hawkins, e os Russos foram investigar antes de montarem a operação – uma coisa daquele tamanho não foi construída numa semana. Acabaram por encontrar o D’Artagnan, conseguiram capturá-lo, provavelmente com uma combinação de armas, número de pessoas, e da falta de maturação do D’Artagnan.

Acabaram por enviá-lo para a Rússia para o estudar, e os Russos foram-no alimentando com prisioneiros de quem não gostavam/já não precisavam. Acho que isto vai ser importante na quarta temporada, onde a amor que o Dustin deu ao D’Artagnan vai ser posto à prova, depois dele ter consumido carne humana.

É claro que o Brenner não tinha maneira de saber da existência dos Demodogs, mas ele podia assumir que o Demogorgon era demasiado poderoso para ser completamente travado, e mandou os Russos à procura dele.

  1. O Demogorgon dos Russos vai reproduzir-se? Vamos ter um novo Mindflayer?

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Para começar, eu não acho que vamos ter um novo Mindflayer. Se bem se lembram, o Mindflayer nasceu das lesmas que tinham infetado o Will. Lesmas essas, que só surgiram depois do Will ter sido infetado, e depois salvo do casulo do Demogorgon. Eu acho que a infeção por si só não é suficiente para produzir um Mindflayer. Ou pelo menos o Demogorgon dos Russos não é capaz de se reproduzir, porque os corpos que lhe dão só servem para o alimentar (segundo aquilo que vimos no final da temporada), pelo que ele não consegue infetar ninguém. Mesmo que um Demogorgon precisasse de duas vítimas, uma para alimentar as crias (Barbara) e uma para as incubar e fazer nascer (Will), o Demogorgon dos Russos, presumivelmente, não seria capaz de o fazer.

  1. Porque é que a 11 perdeu os poderes? Eles vão voltar?

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Eu acho que a 11 perdeu os poderes fundamentalmente por exaustão. Ela passou dias seguidos a usar os poderes, sem parar, sem descansar, sem sequer dormir. Já para não falar do esforço monumental que deve ter sido eliminar um Mindflayer que se tinha estado a preparar durante semanas, meses, se contarmos com os ratos. Já para não falar dos traumas físicos e psicológicos por que ela passou.

Acho que os poderes dela vão voltar, mas não sozinhos, ou seja, não acho que descansar e recuperar lhe vá devolver os poderes. Acho que todo aquele stress lhe criou uma espécie de bloqueio, e a morte do Hopper só piorou essa situação. Acho que a 11 vai ter que procurar a ‘irmã’, a Kali, alguém que a compreenda de uma maneira que nenhum dos amigos consegue, e ela vai ajudá-la a a sentir-se à vontade com os seus poderes outra vez.

Por hoje é tudo pessoal, se tiverem teorias ou opiniões sobre a série por favor comentem!

Beijos e até à próxima!

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