Capitã Marvel – Opinião Sobre o Filme

Confesso que tinha um medo inicial, quando fui ver o filme. Tendo em conta a natureza militar da personagem e da sua origem, tinha medo que a Carol fosse como na maioria das BDs: demasiado séria. Mas o filme começa imediatamente com a Carol a demonstrar emoções, e com os Kree a tentarem convencê-la de que todas as emoções são inúteis. Portanto, pude ver o resto da história descansada.

Ouvi algumas reclamações, de que isto parecia um filme do início da Marvel. E… é claro que parece? É o primeiro filme em muitos anos onde temos uma origin story, uma história sobre como a personagem se torna um herói. É claro que vai parecer “velho”. Apesar disso, a história em si, a narrativa, a adaptação das várias origens da Capitã Marvel, está muito boa.

Para além dos fatos impecáveis, e da qualidade dos efeitos especiais, foi extremamente inteligente adaptarem a personagem Mar-Vell desta maneira. Todos os trailers indicavam que o Yon-Rogg, a personagem do ator Jude Law, seria o Mar-Vell, até porque ele aparecia a treinar a Carol. Mas afinal, acabaram por misturar as coisas, e pôr uma personagem feminina a fazer de Mar-Vell; e porque é que isto funciona? Porque mistura a Carol a ser treinada pelo Mar-Vell, com uma figura maternal – nas BDs mais recentes a mãe da Carol é uma fugitiva Kree, e o acidente com o Mar-Vell não lhe deu poderes, só os acordou. Tendo tudo em conta, especialmente as décadas de banda-desenhada que existem, a história do filme é no mínimo elegante, com a confusão que consegue evitar. Qualquer pessoa que não conheça a banda-desenhada consegue perceber o filme na perfeição.

Correndo o risco de me repetir, adoro verdadeiramente a personalidade da Carol. Um soldado sim, mas como o Fury lhe chamou, um rogue, uma espécie de desertor, no caso dela, por boas razões. Fosse por ter sido subestimada a vida toda, fosse por ser cronicamente teimosa, a Carol questiona ordens. Aliás, ela questiona tudo. E isso não é um “bom soldado”. Um “bom soldado” segue ordens, ponto. E ela não está para aturar isso.

O filme em geral é uma crítica a culturas maioritariamente militares – como os Kree, cuja existência é completamente moldada em redor da indústria militar, de guerras e de conquistas. Basta olhar para a história dos Skrull, que foi, sim, muito alterada, mas que não deixa de ser leal a algumas versões da BD – desde há alguns anos que existem células de refugiados Skrull pelo Universo Marvel fora.

A maneira que arranjaram de representar a Inteligência Suprema foi espetacular. Uma maneira perfeita de mostrar como é que a manipulação dos Kree funciona tão eficazmente.

Queria só mencionar ainda o último confronto entre a Carol e o Yon-Rogg. Depois de termos visto a Carol a derrotar a inteligência suprema, e a desbloquear todo o seu poder, temos um clássico: um herói que tem que derrotar um mentor que afinal era um vilão, e deve fazê-lo sem recorrer aos seus poderes superiores, para provar que é digno deles. E a Carol manda essas convenções todas às urtigas.

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Juro, que não me lembro nunca de ter visto esta batalha acabar assim, mas…. faz todo o sentido??? Seja com a Carol ou com outro protagonista qualquer, se a pessoa que os educou/treinou/criou/seja lá o que for, lhes mentiu uma vida inteira; se eles SABEM que são mais poderosos do que esse mentor/vilão; se a luta já está, para todos os efeitos, ganha; porque raio é que haviam de lhe dar essa cortesia??? Eles não lhe devem NADA! E ver a Carol a dizer-lhe isso, com o maior ar de desprezo que eu já vi, deu-me arrepios, juro que deu. Foi perfeito. “Ah e tal, foi anticlimático”. O CARAÇAS É QUE FOI! Ele manipulou-a desde que a encontrou em Hala, e tentou fazê-lo novamente. E falhou miseravelmente.

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Juro, este final foi aquilo que me fez A-D-O-R-A-R este filme.

 

Por hoje é tudo pessoal, beijos e até à próxima!

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