Black Mirror – Temporada 5

Já estreou à algum tempo, mas só agora tive oportunidade para assistir à mais recente temporada de Black Mirror. Mas esta temporada é…diferente, das anteriores.

Os episódios em geral focam-se mais nas relações entre as pessoas do que na tecnologia que formata essas relações.

A tecnologia continua lá, os aspetos futuristas continuam a existir, mas já não são a parte principal. As pessoas são a história aqui. As pessoas e as relações entre elas sempre foram o aspeto principal da série, mas nesta temporada não são afogadas pelos mundos futuristicamente tecnológicos em que as pessoas se encontram. Nesta temporada as pessoas não têm tecnologia suficiente para se esconderem, nem nós para nos distrairmos.

O terror não foi o aspeto principal desta temporada, e eu não vejo mal nenhum nisso. Em vez da perspetiva pessimista daquilo que o futuro pode ser se não nos controlarmos, esta temporada essencialmente mostra-nos coisas possíveis, quase como se nos estivesse a mostrar os primórdios da tecnologia aterradora que vimos em episódios anteriores. Coisas que nos assustaram, mas com as quais vamos provavelmente conviver em paz; sem nos queixarmos, sem sequer percebermos. Até porque muitas delas começam de forma inofensiva.

Um terror mais existencial, mas mais subtil, no fundo.

E no entanto, diria que foi uma temporada mais otimista no geral. Em que as pessoas usam muito a tecnologia, chegando mesmo a estarem dependentes dela; mas só se assim escolherem. Toda a gente pode afastar-se dela. Mesmo que seja por pouco tempo, podem desligar-se. E esta possibilidade de escolha, que até agora, essencialmente nunca foi sequer equacionada, é estranhamente otimista para esta série. Até mesmo reconfortante, diria eu.

E temos ainda uma temporada que tem finais estranhamente felizes. Mesmo no segundo episódio, talvez o mais deprimente, e segundo alguns, o mais “Black Mirror” de todos nesta temporada, sabemos que uma personagem secundária mas extremamente importante vai finalmente poder obter respostas. Claro, se quisermos ser pessimistas, todos os finais podem ser na verdade retorcidos, mas hoje não me apetece ser negativa. Apetece-me encarar estes episódios, mesmo o segundo, como tendo finais, se não felizes, pelo menos abertos ao otimismo e à esperança de um futuro melhor para as personagens.

Foi o terror e o choque que me prenderam inicialmente? Sim. Mas a qualidade desta temporada não fica a dever nada às anteriores. Pessoalmente, ainda que acredite que vão voltar aos guiões de terror eventualmente, gosto destas histórias, que são muito tecnológicas, mas que não são sobre a tecnologia. A série sempre apontou um espelho à sociedade; o desta temporada por acaso não teve ecrã.

Por hoje é tudo pessoal, beijos e até à pròxima!

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