A Minha Guerra com a Guerra dos Tronos

Ora bem…por onde começar? Como isto vai ser uma crítica (construtiva) à série no geral, e a esta última temporada em particular, vão haver spoilers.

Eu não comecei a ver esta série quando estreou. De facto, vi, salvo erro, 5 temporadas seguidas, e só a partir da sexta temporada é que fui vendo os episódios conforme foram saindo. Isto tudo para dizer que não sou a pessoa que mais investiu nesta série, comparando com aqueles que seguiam este circo há já 10 anos.

 

Mas vamos ao que interessa:

Acho que não é uma opinião nada controversa, se disser que se nota E MUITO quando a série passou a ser escrita só pelos criadores, sem o trabalho do George R. R. Martin (doravante GRRM, porque é mais curto de escrever) a guiar e orientá-los.

As primeiras mortes chocantes – o Ned Stark, o Casamento Vermelho, até a morte do irmão da Daenerys – foram bem construídas. Sim, iam um bocado contra os instintos de narrativa, em que esperamos o mesmo fim que as personagens esperam, mas foi bem escrito. Sabíamos de antemão que existiam obstáculos e inimigos, logo, as vidas das personagens estavam num perigo constante, e desse modo as mortes deles, enquanto chocantes e súbitas, não foram completamente inesperadas.

A partir da ressurreição do Jon Snow, o perigo da morte baixou consideravelmente. Podíamos todos respirar de alívio, porque as nossas personagens favoritas eram praticamente invulneráveis, e iriam certamente morrer de velhice. E isso, numa série que nos habitou a estar sempre alerta, que construiu a sua fama na base de que “qualquer um pode morrer a qualquer altura”, é muito, mas mesmo muito mau. É estúpido, é insatisfatório, e é desnecessário, porque passa a ideia (se calhar não tão errada assim) de que os criadores punham as personagens a fazer o que dava mais jeito, mesmo que isso significasse, por exemplo, o Jon Snow quase se afogar num manto de gelo, e sair de lá sem sequer uma constipação.

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Para além deste problema mais antigo, existe ainda um específico desta temporada: o ritmo da história. A série sempre teve alguns problemas de ritmo, com episódios muito rápidos seguidos de outros aborrecidamente lentos, mas eu pessoalmente acredito que isso seja um problema de adaptar um livro, onde uma pessoa se pode dar ao luxo de descrever os tijolos de uma casa (Eça de Queiroz, estou a olhar para ti) sem que a história sofra por isso, para um meio muito visual como a televisão (ou, sejamos honestos, um computador, para muitos de nós). Mas se nas primeiras temporadas isso era compreensível e justificável, nesta última temporada foi tudo apressado. Parece que escreveram guiões a correr, que foi tudo a despachar, que queriam era acabar isto e pronto. Curiosamente, foi assim que eu me senti a ver estes episódios.

 

E agora vamos à parte longa, onde eu vou pegar nas personagens que eu considero mais importantes, e tentar explicar o que funcionou, e o que não funcionou de todo para mim, em termos da jornada e da sua evolução (ou falta dela) ao longo da série. E vou fazer isto por ordem alfabética, porque se me puser a tentar ordenar por importância, nunca mais saio daqui. E depressa vão ver que a maioria das minhas críticas dizem essencialmente “até não me importo com isto, mas a maneira como lá chegaram foi mal feita”.

Arya Stark

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Se calhar a personagem cuja progressão menos odeio. A Arya foi uma das minhas personagens favoritas desde o início, e vê-la a tentar seguir os ensinamentos dos Faceless Men, para no final assumir e aceitar a sua identidade enquanto Stark foi uma narrativa excelente para mim. E tê-la a viajar no final, como ela sempre quis, e com segurança na identidade e nas capacidades dela, é um final do qual que gosto.

Claro que existiram muitos soluços pelo caminho. As discussões entre ela e a Sansa na sétima temporada não tinham motivo nenhum. Bastava terem incluído algures uma cena do Baelish a espiá-las, e passavam a ser encenações, para o fazer sentir seguro e não desconfiar dos planos delas. Mas não, elas tinham que discutir, por…motivos, ou assim.

Nesta última temporada ADOREI que fosse a Arya a matar o Rei da Noite; mas não gostei da forma como ela o fez. Faz sentido ser ela a matá-lo? Epá, até faz. Ela é a única assassina treinada, é a única que sabe atacar discreta e silenciosamente, quase de forma invisível. A cena nos arquivos, onde ela consegue escapar sem fazer barulho era uma cena PERFEITA para nos relembrar das habilidades dela. E o que deveria ter acontecido depois, quando o Rei da Noite ergue os mortos de Winterfell, era a Arya matar o Wight Berric Dondarrion (o gajo da pala no olho, que também vai ser mencionado mais à frente), ficar com a cara dele, assumindo assim um disfarce perfeito para que nem o Rei da Noite nem os seus generais se apercebam que ela não deve estar ali, porque ela estaria a assumir o corpo dele, já depois de estar em modo zombie, e desse modo ela podia chegar até ao Rei da Noite e matá-lo. Até podia fazer outra vez o truque de deixar cair o punhal de uma mão para a outra, que foi BRUTAL! Mas o público só saberia que ela fez isso DEPOIS dela o ter morto e ter removido a sua máscara. Era melhor porque puxava pelas habilidades dela, e era mais satisfatório para o Berric, que assim deixava de ser ressuscitado 300 vezes só para servir de guarda-costas dela. Assim, o significado da sua morte seria oferecer a peça final que permitiu derrotar o Rei da Noite.

Em Porto Real, por mais que o Hound a quisesse proteger, em vez de aceitar e virar costas, fazia mais sentido que a Arya lhe dissesse que, naquela altura do campeonato, já era sobre mais do que vingança. Que ela desconfiava da Daenerys (TAMBÉM JÁ LÁ CHEGO), e que matar a Cercei assegurava a segurança da cidade e dos soldados do Norte que estavam à espera para a invadir. Ela até podia nem conseguir matar a Cercei, sendo obrigada a retirar depois da batalha entre o Hound e o irmão dele ter começado, e desse modo tínhamos a motivação da Arya, que não voltou para trás até não ter mais nenhuma hipótese, e ficávamos com as cenas dela no meio do caos da cidade, que são efetivamente impactantes. E lhe davam o empurrão necessário para ela querer matar a Daenerys (eu disse que já lá chego).

Por último, gostava que ela tivesse ficado com o Gendry, é claro que gostava. Mas a Arya nunca iria ser a Senhora dum castelo. Ela sempre odiou esse papel, o de administrar e cuidar dos outros. Se bem que ache que ela gostaria de voltar a Winterfell, nem que fosse para contar as novidades e revisitar a família. A ideia de que ela nunca mais vai voltar, ou pelo menos tentar fazê-lo, é um bocado…parva (O Gendry já aparece mais em baixo, porque também tenho queixas a fazer da história dele.)

 

Brandon Stark

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Ponto número 1: ele não devia ter perdido a personalidade dele. O Corvo antes dele tinha uma personalidade, porque é que o Bran teve que se transformar num robô? Que ele tivesse ficado menos impulsivo, tudo bem. Mas basicamente vazio de sentimentos? Para quê?

Ponto número 2: embora concorde que ele podia ter feito mais durante a batalha de Winterfell, não concordo com as coisas que as pessoas em geral diziam que ele deveria ter feito. Estavam à espera do quê? Que ele abandonasse o corpo e começasse a lutar? O rapaz nunca teve jeito para batalhas. Ele podia sim, ter procurado no passado como foi que a última Longa Noite foi derrotada. Ele podia ter usado os corvos para reconhecimento, e guiar partes da batalha, quer para ataques, quer para segurança. Mas não mais do que isto.

Ponto número 3: embora concorde que ele era de facto a única personagem que era capaz de ser Rei sem ser corrompido por influências externas…lá está, não gosto da forma como aconteceu. Foi demasiado súbito, e quase que dá a ideia de que ele sabia que podia ser Rei, e fez de tudo para que isso acontecesse. Quando ele nem Lorde queria ser, mas parece que ele se esqueceu disso. Mesmo assim acho que ele não deveria ter sido Rei, porque acho que não deveria haver um Rei. O Bran deveria ter dado força ao argumento do Sam, ajustando à situação (uma capital e vários pontos do continente em ruínas) e às regras da sociedade (conferir o direito de escolha aos lordes e senhoras das várias casas, não só aos mais influentes, e garantir que o povo tinha representantes diante dos seus respetivos lordes e senhoras, por exemplo), e deveria ter-se tornado num Maester, com os restantes a apontar os conhecimentos dele, de modo a garantir que a memória daquele mundo nunca mais seria ameaçada por se encontrar concentrada numa só pessoa.

Ou se calhar, os Reinos deviam ter todos declarado independência, porque era assim que as coisas eram antes dos Targaryen terem chegado. No mínimo as Ilhas de Ferro e Dorne deviam ter declarado independência também.

E sinceramente, “Bran, o Quebrado”? Tyrion, filho, que merda de cognome é esse? Só porque o rapaz se habituou a não andar, isso não é justificação. “Bran o Sábio” teria sido tão melhor…

 

Brienne de Tarth

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Em geral não tenho queixas da Brienne. Foi das poucas personagens que se manteve constante ao longo da série toda. Claro que tenho imensas queixas da relação dela com o Jaime, mas recaem todas sobre o assassinato da personagem dele, por isso, já lá vamos.

Adorei a cena em que a Brienne escreve os feitos do Jaime. Mais do que sendo fiel a um homem que amou, foi profundamente leal a um grande amigo, que a salvou por várias vezes. A um homem que graças a ela soube reconhecer e apreciar a sua natureza bondosa, e ela quis que isso fosse reconhecido, como ele merecia (se não tivessem assassinado toda a progressão dele, mas enfim…).

Dito isto, tenho, não necessariamente uma queixa, mas…uma enorme dúvida? Porque raio é que a Brienne ficou em Porto Real? Porque é que ela não fazia parte da Guarda Real da Sansa? Ela jurou serviço à Sansa, não aos Stark em geral. Foi tudo uma desculpa para ter a Brienne a escrever sobre o Jaime no livro? Foi por ser ela a única mulher que sobrava para não serem só homens no Conselho? Foi mal ponderado, foi o que foi.

 

Bronn

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O Bronn devia ter morrido na sétima temporada, depois de ter salvo o Jaime, pronto já disse. Sobreviveu àquela treta toda, para aparecer 5 minutos ou nem isso na oitava temporada, e de repente é Lorde do Jardim de Cima, e Mestre da Moeda, ou seja, o sacana mais poderoso em Westeros….COMO?? PORQUÊ???

Pelo menos que ele tivesse ido atrás do Tyrion e do Jaime, para lhes contar dos planos da Cercei, cimentando assim nas mentes deles o quão perdida ela estava, se chegou ao ponto de mandar matar o Jaime, e não para os ameaçar? Aos únicos amigos que ele fez na série inteira?? A conversa de mercenário perde sentido depois dele ter arriscado a vida dele para os salvar!

Se ele tivesse morrido a salvar o Jaime teria sido uma progressão excelente. Se ele tivesse sobrevivido até à oitava temporada, devia ter avisado os irmãos e devia tê-los ajudado, ao dizer-lhe os planos da Cercei, porque assim ele mantinha a sua lealdade aos amigos, e mantinha a natureza de mercenário, ao virar as costas a quem lhe estava a pagar, em favor de algo maior. Ele até podia ficar com o Jardim de Cima na mesma, ou podia ficar em Porto Real como Mestre da Moeda, enquanto recompensa pelos seus serviços. Mas não as duas coisas. NUNCA as duas coisas. Isso já é demasiado.

 

Cercei Lannister

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A Cercei foi uma das poucas personagens que se manteve consistente até à oitava temporada. O amor que ela sentia pelos filhos e pelo Jaime só se entendia até ela sentir que eles não estavam com ela, ou seja, que ela já não tinha poder sobre eles. Só os amava na medida em que eles eram uma espécie de extensão dela própria, como uma narcisista que se preze.

Dito isto, odiei o final que ela teve. Não me interpretem mal, eu queria que ela morresse. Mas não assim. Para já, ela ou se esqueceu que estava grávida, ou se esqueceu de fingir que estava grávida, porque só o que ela fez nesta temporada foi beber vinho e ficar ao pé de janelas. E ela teve o sangue frio de reunir as pessoas de Porto Real dentro da Fortaleza Vermelha, sabendo de antemão que a Daenerys podia muito bem matá-los a todos, para que servissem de escudo, só para se proteger; para de repente se sentir mal com a situação, e tocar os sinos. Para no final ser morta por materiais de construção.

Nas cenas de Porto Real a arder, houve zonas com Wildfire a explodir. E isso deu-me uma ideia perfeita para a morte da Cercei.

Na minha opinião, a Cercei podia ter morrido de várias maneiras satisfatórias (e também podia não se ter metido na cama com o Euron – a sério, a “relação” entre estes dois parecia saída duma fanfiction rasca):

Podia ter sido morta pela Arya. Ou pela Arya sem disfarce, ou pela Arya disfarçada de Jaime, por exemplo.

Podia ter sido morta pelo Jaime (também já lá chego).

Ou, de acordo com a inspiração súbita que eu tive quando vi as explosões de Wildfire, a Cercei podia ter fugido da Fortaleza, tinha tentado escapar pelos túneis debaixo da cidade, para acabar encurralada numa zona cheia de barris de Wildfire. E ela morria nessa explosão. Sozinha, e da mesma forma que ela matou tantos inocentes no final da temporada anterior. Mas não, morreu a chorar debaixo de uma derrocada de pedras. Por favor…

 

Daenerys Targaryen

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…Bom, vou começar por dizer que, em princípio, não me oponho à ideia da Daenerys enlouquecer. Preferia, claro, que ela tivesse rejeitado a ideia do trono, que nunca partiu inicialmente dela, foi-lhe imposta pelo irmão a vida toda, e partisse à aventura, conquistando novos territórios, ou explorando-os, porque acho que o Daario Naharis tinha razão quando disse que ela era uma conquistadora, em vez de uma governante. Mas ainda assim, acho que a história de uma Daenerys a enlouquecer funciona perfeitamente como uma tragédia – ela jura que nunca vai cometer os mesmos erros que os outros membros da sua família cometeram, que vai ser razoável e justa, para no final sucumbir aos horrores, aos traumas, e, sejamos honestos, às consequências de gerações e gerações de incesto. Até encaixava na temática geral do GRRM, de que as pessoas com boas intenções acabam sempre mal no mundo da Guerra dos Tronos.

SE SE TIVESSEM DADO AO TRABALHO DE ESCREVER ISTO COMO DEVE DE SER, PELO AMOR DA NOSSA SENHORA DO CHUVEIRO ELÉTRICO!!!!

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A sério? A sério. A sério que fizeram isto? A SÉRIO que foi nesta direção que escolheram levar as coisas????

A “loucura” da Daenerys foi extremamente mal escrita. Primeiro, porque foi no mínimo inconsistente. As únicas “manifestações” disto antes da última temporada foram acessos de impulsividade. E uma pessoa não é louca por ser impulsiva. “Ah, mas ela perdeu dois dragões, que eram como os filhos dela! E viu a Missandei ser decapitada!” Meus amores. É CLARO que isso enlouqueceria qualquer pessoa! Mas se foi preciso chegar a esses extremos para a fazer passar da marmita, então ELA NÃO ERA LOUCA ANTES DISSO!

Segundo, momentos como a execução da família do Sam, para além de virem tão tarde na história que estão quase isolados, não constituem uma evolução da personagem. Podem servir como foreshadowing – ou seja, uma amostra, ou uma pista, daquilo que pode estar para vir; mas foreshadowing não é desenvolvimento.

Terceiro: a justificação/momento principal de “foreshadowing” que os criadores deram foi, preparem-se: a Daenerys não chorar quando o irmão morreu. O irmão que a abusou a vida toda, de praticamente todas as formas e feitios. Que a vendeu sem pestanejar, que a ameaçou, que a agrediu, que a menosprezou, que a tentou manipular (e durante muito tempo conseguiu fazê-lo), e que ameaçou a vida dela e do seu filho que estava por nascer. Ya, caraças, quem é que não choraria por uma criatura destas? Só um psicopata demente, ou assim. Vão mas é bugiar. Já não bastava terem alterado a base fundamental da relação dela com o Khal Drogo – porque nos livros ele não a viola, a cena toda do “não”, é ele a dizer-lhe que fez questão de aprender esse conceito da língua dela, e que respeita o não dela; quando eles têm sexo, é consensual –, agora queriam que ela se sentisse triste por ver um canalha a ter a morte irónica e violenta que merecia. Bitch, please.

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Quarto: Era possível fazer a loucura da Daenerys funcionar nestas últimas temporadas, mesmo sem um desenvolvimento prévio. Bastava terem começado na sétima temporada. A Daenerys chega finalmente a Westeros, e a proximidade e as memórias do trauma começam a pesar nos ombros dela. A execução dos Tarly podia servir como um sinal de que ela está a começar a descompensar, porque pela primeira vez recusou-se a ouvir os conselhos fosse de quem fosse. Até aqui tudo bem. Continuávamos a temporada, com o Jon a ir pedir ajuda, e ela a acabar por ir para o Norte à última da hora. Mas com algumas mudanças. Começando por fazer com que a Daenerys só acedesse a ir depois de a convencerem de que se for verdade, nem ela pode com aquele exército, e ela não pode correr o risco de perder o trono a esta altura do campeonato. Depois podiam ter-me feito o favor dela ficar de facto triste com a morte do dragão dela. Para quem fazia tanta questão de ser chamada de “Mãe dos Dragões”, ela foi bastante desnaturada com as crianças dela nos últimos tempos. Em vez de ficar a suspirar pelos cantos e a fazer olhinhos ao Jon Snow, ISTO devia ter sido o ponto de viragem na loucura dela. A perda do dragão devia ter sido um golpe como nenhum outro que ela já tivesse sofrido. Devia ter sido uma perda imensa. Ela devia ter descompensado imediatamente. A partir daqui a guerra com o Rei da Noite era pessoal. E a partir daqui a impulsividade dela disparava, e despoletava tudo o resto. A partir daqui a agressividade e a prepotência dela tornavam-na irredutível, faziam-na cometer erros estúpidos, que lhe custavam ainda mais perdas desnecessárias, e tudo isto alimentava uma espiral descendente, que culminava na morte dela.

Quinto: A obsessão dela com o Trono de Ferro, mesmo com o exército do Rei da Noite à porta, podia ter sido a alegoria perfeita para o quão mesquinhas e inúteis as preocupações e maquinações políticas são, quando se olha para o quadro geral, se no final o Trono ele próprio, bem como tudo aquilo que ele representa, fosse desmantelado. Não acontecendo isto, a Daenerys devia ter-se sentado efetivamente no trono, e devia ter-se cortado nele, porque quando alguém se senta no trono e se corta, é considerado um sinal de que o Trono os rejeitou, e de que essa pessoa não é digna de governar. Isto nos livros, claro. Mas é óbvio que os criadores deixaram de querer saber dos livros há muuuuito tempo.

Já para não falar que, em vez de uma batalha lendária com forças sobrenaturais que maquinavam pelo controlo do mundo (que foi naquilo que a série se tornou, independentemente de como começou), e que ainda assim servia de metáfora às intrigas políticas e pessoais de cada um, tivemos um episódio disso, tivemos uma confirmação da importância de tudo aquilo que passaram 7 temporadas a dizer que era insignificante em comparação.

 

Davos Seaworth

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Apesar de gostar de ver o Davos a ter um cargo que reconheça a sua importância, parece-me muito estranho que ele tenha escolhido ficar na cidade onde perdeu o filho. Para mim fazia mais sentido que ele se tivesse afastado das intrigas e das confusões, que tivesse arranjado uma casinha e, sei lá, que tivesse adotado uma catrefada de crianças, para ajudar os órfãos das guerras, e para tentar preencher o vazio que a perda da sua família lhe deixou. Mas posso ser a única a achar isto.

 

DORNE!

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Mas. Que. RAIO! FIZERAM ÀS PERSONAGENS DE DORNE????? Se dúvidas houvesse em como os criadores ou não queriam saber, ou não sabiam como incluir Dorne na narrativa que tinham criado, foram-se todas, com o diálogo de merda que lhes deram – a todos – depois da morte do Oberyn, e quando as fizeram matar a Myrcella, QUE ESTÁ VIVA NOS LIVROS, E A SER EDUCADA PARA SER A PRÓXIMA PRINCESA DE DORNE, E REPRESENTAR OS INTERESSES DELES – sabem que mais? Acho que o simples facto de praticamente ninguém gostar do enredo de Dorne diz bastante sobre a qualidade desta escrita.

 

Drogon

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Queria só mencionar que a cena em que o Drogon derrete o Trono de Ferro é FANTÁSTICA, E BRUTAL, E LINDA, E EU ADOREI-A! Pronto, é só isso.

 

Euron Greyjoy

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Alguém me sabe dizer qual era o objetivo desta personagem? Tipo, o que é que ele estava ali a fazer? No final ele morreu a gabar-se de ser o homem que matou o Jaime Lannister, mas…nem o Jaime tinha fama de ser um guerreiro lendário, nem eles se conheciam bem o suficiente para ter uma rivalidade? Ah, é verdade, peço desculpa, eles queriam os dois dormir com a Cercei. Parece que isso constitui motivo para quererem matar-se, agora…

O que é que querem que eu diga? Esta personagem foi aqui posta para servir um único propósito: fazer o que dava mais jeito aos criadores da série. E o que lhes dava mais jeito, era andar a tapar buracos, fosse a servir de antagonista para matar personagens de que já não precisavam, fosse a construir uma armada ameaçadora em…um mês ou dois? À volta disso.

 

Gendry

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Gostei do facto dele e da Arya terem FINALMENTE assumido que gostavam um do outro? Sim. Gostei do facto dos talentos e esforços dele terem sido finalmente reconhecidos? SIM! Acho que ele deveria ter permanecido como Senhor de Storm’s End? NÃO! Claro que ele não podia recusar a oferta de cara podre, mas tendo em conta que ele não sabe as coisas mais básicas sobre administrar terras e cuidar de pessoas, que raio de lorde seria ele? Por outro lado, o Robert também não tinha currículo para ser Rei, e isso não o impediu…

Ele devia ter percebido e mudado de ideias assim que a Arya lhe disse que não. E eu acredito que ela não disse que não a casar com ele, mas sim à ideia de ser uma Senhora, de ficar parada no mesmo sítio a administrar e a cuidar, com pessoas a depender dela. Ele estava entusiasmado, ele não estava a pensar, nem considerou que isso não seria o que ela queria, nem considerou que se calhar podia dizer não. Mas em vez de ter simplesmente, aceite aquilo que lhe foi oferecido, depois das guerras terem todas acabado, ele podia ter deixado alguém a administrar o sítio, e ia viajar com a Arya. Conseguem imaginar um equilíbrio mais perfeito do que uma assassina/guerreira, e um ferreiro a fazer-lhe as armas todas que ela quiser? Constantemente a testarem e a apoiarem-se um ao outro?

Acho que a relação falhada deles é só um exemplo particularmente frustrante de outra coisa que me caiu mesmo muito mal no final desta temporada: toda a gente acaba separada. Não me estou só a referir a relações amorosas, vejam só o caso dos Stark. “O lobo solitário morre, mas a matilha sobrevive”. POIS, CLARO, ‘BORA IR CADA UM PARA SEU LADO! Com tanto ênfase na importância de estarem unidos, e na importância da família, seria de esperar que isso significasse alguma coisa.

E sinto-me um bocadinho frustrada por não ter visto confirmada uma teoria que adorei: a que diz que o Gendry é o filho do Robert e da Cercei. A Cercei diz à Catelyn Stark que da primeira vez que esteve grávida, o bebé era igualzinho ao Robert, mas não sobreviveu. Segundo a teoria, o  bebé sobreviveu sim, mas a Cercei não aguentou a ideia de ter uma criança com o Robert, e quis matá-lo. Contudo, fosse por ser o primeiro filho dela, fosse por ela ser narcisista e ver na criança uma extensão dela até certo ponto, ela não conseguiu, e acabou por abandoná-lo, esperando que ele fosse criado no meio do povo, mas convencendo-se que ele provavelmente tinha morrido. Agora, podem dizer-me que a profecia que a Cercei ouviu em criança só mencionava 3 filhos, “de coroas douradas” – esta parte pode referir-se tanto a coroas literais (tanto o Joffrey como o Tommen foram Reis, e a Myrcella foi uma Princesa de Dorne), como aos cabelos deles: loiro dourado. Encaixa tudo. E encaixa ainda tanto na noção de que o filho que sobreviveu não tinha cabelo loiro, como na certeza que a Cercei tinha de que ele tinha morrido.

 

Gilly

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Uma personagem super desaproveitada. Adorei a história dela na sétima temporada, a adaptação dela, a recusa em fazer o que lhe mandavam, a assertividade dela. E depois foi ela que descobriu a revelação dos pais do Jon Snow, para o crédito ser dado ao Sam. E na oitava temporada ela…engravidou. Pronto, foi isso. E já agora, se o Sam foi nomeado Maester oficialmente – como tem as correntes e tudo o mais – …ou mudaram as regras, ou a Gilly ficou por ali perdida algures, com as crianças nos braços. Sinceramente, acho que se esqueceram que ela existia.

 

Grey Worm

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Este desgraçado…perde o amor da vida dele, e depois perde a melhor amiga – não me venham cá com tretas de que a Daenerys era só chefe dele. Isto tudo para quê? Para no final ele, por algum milagre, conseguir controlar a raiva dele o suficiente para não matar nem o Jon Snow, nem o Tyrion. Para no final ir navegar até Naath. Que seria um sentimento bonito, não fosse o caso dele e dos criadores da série se terem esquecido de como é que os estrangeiros são tratados em Naath…

 

Jaime Lannister

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Vocês já sabem exatamente do que é que eu me vou queixar. E sinceramente, não sei porque é que me deixei enganar, ao acreditar que eles não iam arruinar completamente esta personagem depois de o terem feito quando o Joffrey morreu. Ya, se não se lembram, ele basicamente viola a Cercei mesmo ao lado do cadáver do Joffrey. Mais uma vez, nos livros ela consente, mas aqui ela diz-lhe que não imensas vezes e ele não quer saber.

E no final o que é que acontece? Ele percebe finalmente que a Cercei é um monstro? Ele assume o que sente pela Brienne? Ele volta a Porto Real uma última vez, com a intenção de matar a Cercei para pôr fim às guerras todas, mesmo que não consiga perceber se é porque acha que ela o merece, se é porque tem pena dela e quer dar-lhe uma morte rápida e misericordiosa? Mente deliberadamente à Brienne, para que ela não o tente demover daquilo que ele vai fazer, e para que, na eventualidade da sua morte, ela não se sentisse tão magoada?

Não. Claro que não. Obviamente que não. Só mesmo uma pessoa muito estúpida é que pensaria nisto, né? Porque aquilo que faz todo o sentido é atirar anos de desenvolvimento para a sanita, reduzir a Brienne a um test-drive, e fazê-lo voltar a correr para os braços da Cercei, para morrerem os dois esmagados. Que outro final poderia haver?

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Jon Snow

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Com toda a escandaleira que foi na altura, no final das contas, o Jon ser meio Targaryen significou alguma coisa? A Daenerys ficou com medo, e a Sansa serviu-se disso para tentar minar o poder da Daenerys. Mas no final das contas, mesmo com o Varys a enviar cartas a toda a gente, nunca ninguém menciona isso? Tanta coisa, tanta coisa, e afinal népia.

Embora perceba, acho que o Jon não devia ter morto a Daenerys. A cena toda da luta entre o amor e o dever, nem paralelismos com a Ygritte tinha. O Jon devia ter posto o povo dele acima da Daenerys há muuuuuuuito tempo atrás.

Dito isto, gostei do final dele. O Jon nunca quis poder, nem posições de liderança. E sejamos honestos, ser assassinado assim que se assume uma posição de liderança é coisa para traumatizar um bocadinho uma pessoa. Mas acho que devia ter sido escrito de uma forma ligeiramente diferente. Bastava terem posto os outros Lordes a reconhecer o Jon como herdeiro legítimo, e o Grey Worm a deixá-lo escrever uma carta a abdicar a favor de alguém. Esse alguém poderia até, sei lá, ter sido o Bran, que depois punha fim aquela palhaçada toda e declarava toda a gente independente.

Claro que, como é apanágio das últimas temporadas, nada disto tem consequências que se vejam, o que…me faz um mal à pressão arterial que não vos passa pela cabeça.

Mas no final das contas, o Jon só se sentiu verdadeiramente feliz a Norte da muralha, e é o que faz mais sentido. Deixem o homem descansar, ele já merece.

 

Jorah Mormont

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O Jorah devia ter morrido assim que a primeira vaga dos Dothraki teve que recuar. Claro, encaixava na perfeição, e foi um momento agridoce, quando ele morreu nos braços da Daenerys. Mas se ele tivesse morrido logo nesse primeiro ataque, isso dizia à audiência que os riscos eram elevados. Que a Guerra dos Tronos que nos agarrou estava de volta, que o perigo era mesmo real. E adicionava tanto à tragédia dele, que nem teve o direito a morrer nos braços da mulher que amava, como à “loucura” da Daenerys, que percebia de repente que perdeu um dos seus maiores aliados e amigos.

 

Lyanna Mormont

Arte por Fadly Romdhani

Esta miúda foi uma personagem perfeita, e foi a única que teve uma história E uma morte como deve de ser! A Casa Mormont pode ter acabado, mas os seus últimos membros lutaram até ao fim, e honraram o seu nome.

 

Melisandre

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Vamos todos dar graças à Melisandre, porque sem ela ninguém tinha conseguido ver aquela treta de episódio. Mas sinceramente, para uma personagem tão poderosa e influente como a Melisandre, o “verdadeiro propósito” da vida dela afinal era…lembrar a Arya que ela era uma assassina treinada, porque pelos vistos ela esqueceu-se (e os criadores também, mas já me queixei disso).

 

Missandei

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A morte da Missandei irritou-me imensamente. Ela só morreu para terem uma desculpa para “enlouquecerem” a Daenerys, e eu nunca vou acreditar noutra coisa. E ainda por cima morreu acorrentada? A Cercei provavelmente nem sabia que ela tinha sido escrava, por isso o argumento dela ter feito isso por tortura psicológica não se aguenta. E a parte mais triste, é que eu tenho a certezinha absoluta de que nenhum dos criadores pensou nisto.

Por mais incríveis que as últimas palavras da Missandei tenham sido…não sei, sem ela estar amarrada, ou mais restringida de alguma forma, não consigo deixar de pensar que ela teria pelo menos tentado matar a Cercei? Ela era a pessoa mais leal à Daenerys, ela encarava a Cercei como sendo não um alvo, mas O alvo a abater. Tendo noção de que ia morrer, não acho que ela fosse ficar ali parada. Pelo menos não com a expressão dela. Se a tivessem mostrado com medo, coisa que seria extremamente compreensível, até porque ela sabia que ia morrer À frente das pessoas que mais amava, podia, DEVIA!, estar aterrorizada que de algum modo ela os visse morrer à sua frente. Nesse caso faria sentido que ela estivesse quieta, paralisada, até. E só no final encontrava forças para se opor. Dracarys.

Não sendo este o caso, ya, mataram-na porque se esqueceram de enlouquecer a Daenerys antes.

 

Podrick

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O Podrick é uma personagem fantástica, eu adoro-o, e ele mereceu o lugar dele na Guarda Real. My shiny boy.

 

Sam Tarly

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Odiei o Sam no início desta temporada. Parece que puseram o Sam da primeira temporada ali. Então o Dolourous Edd, o amigo mais antigo que ele tem para além do Jon, é morto à frente dele, depois de o ter salvo! E ele vira costas e começa a fugir? POR AMOR DE DEUS! MESMO QUE ELE ESTIVESSE TODO ACAGAÇADO, DEPOIS DISTO ELE DEVIA TER MORTO A WIGHT QUE LHE MATOU O AMIGO! MESMO QUE ELE NÃO MATASSE MAIS NINGUÉM, AO MENOS ESTA!

Já para não falar do facto da relação dele com a Gilly ter sido inexistente nesta temporada. Eu acho que o Sam não devia ter sido um Maester oficial. Acho que ele devia ter ficado com os títulos e as terras da família dele, e ficava a administrar as coisas. Mesmo que tivesse um outro cargo importante. Não me parece certo, o que é que querem?

Por outro lado, é perfeitamente possível que isso tenha acontecido, e nós não tenhamos visto nada, porque os criadores estavam com fogo no rabo para acabar isto e irem estragar a Guerra das Estrelas a seguir.

 

Sandor Clegane

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A “Cleganebowl” era uma ideia de treta, e teve uma execução de treta, tal como merecia.

Muito honestamente, a história do Sandor devia ter acabado quando ele foi adotado por uma comuna hippie. Ele estava em paz, e até estava feliz. Mas ninguém pode ter coisas boas, e portanto tiveram que o arrastar de volta para guerras que nunca foram dele.

E tendo isto em conta, a história dele podia ter sido tão, TÃO melhor e mais satisfatória. Tudo seguiria na mesma, e o momento em que ele vê uma visão nas chamas da lareira teria, efetivamente, significado. Bastava que o Berric Dondarrion lhe tivesse passado a sua espada ardente.

“Mas ele tem medo do fogo e tu querias que ele lutasse com uma espada a arder?????”

Sim. Porque ao longo das temporadas ele foi escrito como ficando mais confortável perto de fogos pequenos – fogueiras, lareiras, etc – e seria uma representação dele a ganhar a única batalha que verdadeiramente lhe pertencia: o seu próprio medo.

Já para não falar que a “Cleganebowl” teria tido um final como deve de ser. O Sandor cortava-lhe a cabeça com a espada em chamas, e mesmo na eventualidade remota do corpo não morrer – como qualquer zombie que se preze – o Gregor acabava por morrer, porque, hã, o edifício estava literalmente a cair aos bocados, e o Sandor morria das feridas infligidas, com uma sensação de dever cumprido, em vez de ter que fazer tudo nesta série, incluindo nem poder morrer em paz, e ter que se atirar duma torre abaixo para matar o desgraçado.

O Sandor iria sempre acabar por morrer, mas podiam ter-lhe feito o favor de o matar como deve de ser.

 

Sansa Stark

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Deixem-me começar por dizer, que a Sansa ser Rainha do Norte era o único final que eu aceitaria para esta personagem, e o vestido dela era perfeito.

Posto isto, vamos às queixas.

Já sabem este refrão: gosto do final, mas não como foi escrito. A evolução da Sansa desde Winterfell até Porto Real foi muitíssimo bem feita – até porque tinha os livros do GRRM a guiá-la. Mas a partir daí…

Fez sentido ela fugir com o Littlefinger? Fez. Fez sentido ela recusar a proteção da Brienne nessa altura? Fez. Ela estava zangada, cínica, e na ideia dela, se a Brienne falhou a proteger a mãe dela, isso podia muito bem repetir-se com ela. Já para não falar que a rapariga não confiava em ninguém, nem no Littlefinger, quanto mais numa estranha que podia estar a mentir para a matar, ou pior, levar de volta a Porto Real.

E chegamos…ao casamento forçado com o Ramsay… e se por um lado eu agradeço aos Céus (porque os criadores teriam-no feito se o contrato da atriz não o proibisse) por não ter sido uma cena gráfica, por outro…era realmente necessária? Tipo, já tínhamos visto o Ramsay a desmembrar, torturar e esfolar pessoas. Era realmente necessário pô-lo a violar a Sansa para percebermos que ele era REALMENTE mau? (e mesmo aqui houve criaturas que se queixaram porque não viram as mamas da atriz, mas a culpa aqui não é da série, é do caixote do lixo a transbordar debaixo do Sol do meio-dia no pico do Verão Alentejano que os seres humanos conseguem ser).

A fuga da Sansa, o reencontro com o Jon, e finalmente a vingança dela do Ramsay, que ELA conseguiu, porque ela soube manobrar o jogo e as “lealdades” do Littlefinger, foram momentos perfeitos. Não houve nada que eu não gostasse nesses momentos. E posteriormente a isso, a Sansa a assumir a liderança, a cuidar das pessoas, e a demonstrar a inteligência e capacidades estratégicas dela…Adorei. Adorei.

E a única queixa que eu vou fazer da Sansa nesta temporada, não tem a ver com ela ter quebrado a promessa que fez ao Jon. A Sansa viu a honra matar o pai dela, e ela só começou a sobreviver verdadeiramente quando começou a jogar o mesmo jogo que as outras pessoas, ainda que com escrúpulos. É claro que ela se ia chibar, se achasse que isso garantia a independência do Norte.

A única queixa que vou fazer tem a ver com a conversa que ela tem com o Sandor, depois da batalha. Ele diz-lhe que se ela tivesse fugido com ele nenhum dos horrores da vida dela teriam acontecido. E, epá, ele não deixa de ter razão? Provavelmente? Mas o que me irritou de sobremaneira, foi a resposta que ela lhe deu. Ele chama-lhe “passarinho”, um nome carinhoso que lhe chamava desde Porto Real; e ela diz-lhe, literalmente, que sem o Littlefinger e o Ramsay ela teria permanecido um passarinho durante toda a vida.

E isto irrita-me, porque essencialmente puseram-na a dizer que o abuso dela é que a fez forte. Como se uma criança chata, e inocente, e ingénua, e às vezes um bocado burra, só pudesse crescer se tivesse sido abusada de alguma maneira – ou no caso da Sansa, de quase todas as maneiras possíveis. Como se, na eventualidade destes abusos todos a terem quebrado completamente, isso significasse que ela continuava a ser fraca. Como se o trauma fosse suposto fortalecer uma pessoa, caso contrário, a pessoa é fraca. Sejamos honestos, muitas vezes, na esmagadora maioria das vezes o trauma não significa nada. Não aconteceu por um motivo. Não fortaleceu ninguém. Não ensinou nada. Só deixou dor e desolação.

E agora digam-me que “E se tu me tivesses deixado empurrar o Joffrey da ponte abaixo, podíamos ter fugido mais cedo” não era uma resposta muito melhor.

 

Theon Greyjoy

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Se me dissessem, quando esta série começou, que eu iria sentir pena do Theon, eu dizia que estavam doidos. E acho que diz muito sobre o quão irritante ele era, se foi preciso um psicopata torturá-lo durante, o quê?, duas temporadas?, para eu começar a sentir pena dele. Sim, só sentir pena, porque só comecei a gostar dele depois dele ter salvo a Sansa.

Acho que fez sentido ele ter morrido em Winterfell, e sobretudo a defender o Bran, finalmente redimiu-se.

Sinceramente, não tenho mais nada a dizer sobre ele, desde que o Ramsay morreu que ele se tornou inconsequente.

 

Tormund Giantsbane

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O Tormund no fundo, foi quem ganhou esta história toda. Viajou, lutou, apaixonou-se, teve o coração destroçado, recuperou do desgosto, liderou o povo dele de volta às suas terras, e essencialmente casou-se com o Jon Snow. Finalmente, um final feliz nesta história de treta. (E agora tentem convencer-me que não puseram os cavalos deles afastados um do outro, porque se os pusessem lado a lado iria parecer a cena em que o Jon chega a Winterfell com a Daenerys).

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I’M RIGHT AND I SHOULD SAY IT

 

Tyrion Lannister

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Era mesmo necessário pôr o Tyrion apaixonado pela Daenerys? A sério? Tínhamos que o reduzir a isso? Não houve uma única alminha nesta série que não se apaixonasse por ela?

O Tyrion foi estupidificado nesta temporada. Mesmo que ele estivesse apaixonado. Mesmo que ele tivesse um medo de morte da Daenerys. Mesmo que ele se recusasse a acreditar que se enganou, e se recusasse a desistir da Daenerys, por precisar de acreditar nalguma coisa.

Ele. Foi. ESTÚPIDO!

Sim sim, a despedida entre ele e o Jaime foi comovente, mas isso foi sobretudo porque o Peter Dinklage é um ator dum calibre estupendo, em vez da qualidade da escrita.

Ele, que sempre arranjou maneira de virar o tabuleiro do jogo, mesmo que causasse mais problemas, agora…fica quieto? Não faz nada? Foca a ver passar navios? PORQUE CARGA DE ÁGUA??

O Tyrion é uma das personagens onde a falta de qualidade da escrita se nota mais, não só na falta de agência que é incaracterística dele, mas também nas consequências ao seu redor. Por exemplo: ele é o último Lannister. Quanto muito alguns primos sobreviveram por acaso. O que é que aconteceu a Casterly Rock? O Tyrion não pode ser Lorde disso e mão do Rei, mesmo que ele tivesse passado a casa ancestral dos Lannisters a um primo qualquer, como raio é que se administrava isso??

Sabem que mais? Tive uma epifania. Mudei de ideias. O Bronn não devia ficar com o Jardim de Cima. Ele devia ficar com Casterly Rock. Pensem nisso, é um sítio estratégico, enorme, e rico, logo o Bronn ficava feliz; ao sugerir isto em vez do Jardim de Cima, para negociar, o Tyrion recupera alguma da esperteza que tinha, e faz o Tywin rebolar na campa mais do que nunca, ao passar o símbolo absoluto do poder dos Lannisters para as mãos dum mercenário qualquer.

“Mas porque é que não ficava ele como Lorde de Casterly Rock? Fazia o Tywin rebolar na campa na mesma, e o Tyrion via finalmente algum reconhecimento!”

Sim. Não fosse o facto da Daenerys ter assumido o papel duma invasora estrangeira, essencialmente uma terrorista, e o Tyrion ter não só facilitado, como possibilitado isso. Ou o facto de literalmente ninguém de entre as pessoas comuns gostar do Tyrion. Esqueceram-se de escrever isso nos últimos tempos, mas discriminação ainda existe, pessoal.

O Tyrion foi uma das minhas maiores desilusões, muito em parte por ter sido uma das minhas personagens favoritas. Ele merecia um tratamento melhor do que aquele que recebeu, mesmo com todas as mudanças em temporadas anteriores que o tornaram numa personagem muitíssimo mais fácil de gostar, em comparação com os livros. Se souberam fazer mudanças mais ou menos boas antes, porque é que não o continuaram a fazer?

 

Varys

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O Varys de repente lembrou-se que quer alguém que saiba governar no trono de ferro – apesar de ter servido o Aerys, o Robert e o Joffrey sem mexer um dedo para os tirar do trono…

Tanta coisa com a Daenerys, para no final se lembrar que, se calhar, o Jon era melhor. Porquê? Porque era infinitamente mais manipulável, e isso dava-lhe um jeito tremendo. Ele padeceu essencialmente do mesmo mal do Tyrion: ficou burro e descuidado.

 

Yara Greyjoy

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A Yara (Asha, nos livros)…esqueceu-se, de repente, que as Ilhas de Ferro sempre quiseram independência, não foi? O que é que ela fez na última temporada? Mal apareceu! Teria sido TÃO fixe uma última batalha entre a frota dela e a frota do Euron, ver homens a mudar de lado no meio das lutas, talvez!

Mas não. Não. Não podemos ter coisas boas.

 

 

Por hoje é tudo pessoal, até à próxima.

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