Livro #2: As Cartas de amor de Pessoa

Olá, como estão?
Espero que bem. Peço-vos desde já desculpas por fazer este post tão atrasado, mas a vida adulta é uma chatice, e quando queremos fazer tudo, nunca conseguimos. E maior parte das vezes, acabamos é por não fazer nada.
Bem vindos ao post de S. Valentim!
(Pensem que mais vale tarde do que nunca.)

Deixando as lamúrias de adulta de lado, passo a apresentar-vos o livro deste post: As Cartas de Amor de Fernando Pessoa a Ofélia Queiroz.

Agora perguntam-se “porque raio?” – e com razão, porque reconheço que é estranho alguém ler isto de livre vontade -, e eu respondo-vos: desde o meu 12º ano, em que todos somos apresentados ao grande Fernando Pessoa e a todas as suas trips que deram origem aos heterónimos, que me falavam disto. A minha professora sempre me disse “romântica como és, vais gostar”. E ao fim de 6 anos lá o comprei. E não me desiludiu de todo.

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São correspondências entre ambos – vai desde postais até simples papéis brancos -, que não iam pelos correios, mas sim por um intermediário, que fazia questão de os ajudar na comunicação.
Ficamos a saber que tinham fugazes encontros nas famosas ruas da baixa lisboeta, que combinavam encontrar-se discretamente nos transportes, e que já nesse tempo havia transportes em greve.

É reconfortante saber que até mesmo um tresloucado (em todos os sentidos que nós conhecemos) pode ser tão gigante em amor.

Spoiler: Eles não acabam juntos.

Sim, eu sei, que ao longo de todo o livro ficamos a querer saber o final, e que de preferência seja com eles juntos, mas não é.

Pessoa, chamado Nininho pela sua Bebé, é dado a conhecer como capaz de manter um namoro que seria o que hoje se chama de #relationshipgoals (como dizem as gerações de agora – parecendo eu uma velha), com dedicação, carinho e respeito. Mas ambos decidiram que o melhor seria ficar por ali. Que não seria saudável continuarem assim, às escondidas de todos.

Daquilo que percebi, eles deveriam ter alguma diferença de idades, o que também levava a que a relação se escondesse mais. Mas nem assim eles deixaram de se amar.

Na parte final do livro, as cartas que se enviam são apenas os parabéns, pelos seus aniversários. Sinais de que o respeito ainda se mantinha, e que pelo menos ainda pensavam um no outro.
Ofélia, acabou por se casar com outro homem. Mas o meu coraçãozinho de romântica incurável diz que ela nunca o esqueceu.

Hoje em dia, infelizmente, as relações acabam mas fica tudo menos o respeito pelo outro.
Estamos a 18 de fevereiro de 2019 e já faleceram 10 mulheres vítimas de violência doméstica. DEZ MULHERES. Porque é que a sociedade não está a mudar isto?
Onde é que estamos a falhar? O que é que está a acontecer?
Onde estão os valores do respeito pelo outro, pela sua integridade física e intelectual?
Sinto que hoje em dia, queremos dar tudo como nosso. Temos uma necessidade de posse incomparável. Mas temos de saber largar quando uma das partes está mal. E principalmente, saber quando somos nós a fazer o mal ao outro.
Nem tudo é nosso. Nem tudo tem de ser de alguém.
Respeito. O respeito está a deixar de existir. Há que respeitar o outro, as suas decisões. Ninguém é de ninguém, já dizia o grande João Pedro Pais.

Pensem bem nas vossas atitudes para com os outros.
Não fechem os olhos ao que se passa à vossa volta. Metam a colher sim.

Haja respeito.

Estou magoada, revoltada e triste com a sociedade em que vivemos.
Por isso é que gosto tanto de ler livros assim. Porque estas coisas do romantismo são cada vez mais raras.
Se o mundo é assim, parem que eu quero sair.

Até à próxima.
Olhem por quem vos rodeia. O mundo não gira à vossa volta.

Maria João Francisco

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