Apresentação e Livro #1

Ora então bom dia, boa tarde ou boa noite, tudo depende da hora e do local onde acedem a este blog. Daqui Maria João, da geração de 95, estudante de Comunicação Social.
Decidi aceitar o convite da Helena para fazer parte do blog pois tenho na leitura um dos meus maiores hobbies, um escape do mundo real. Frequentemente, o que me acontece é envolver-me demasiado nas histórias e ficar alguns dias a “remoer” nelas. É sinal que o dever do livro está cumprido.
No que respeita a géneros literários não me sei definir. Sinto que consigo gostar de tudo um pouco. Mas o que me conquista é tudo o que sejam histórias verídicas que decorreram durante a Segunda Guerra Mundial, como é o caso do livro que hoje aqui vos trago. (E trarei mais uns quantos)
Não pretendo fazer resumos de livros, mas sim dar a minha opinião e também espelhar o conteúdo dos mesmos com a atualidade. Não me responsabilizo por spoilers, afinal de contas tenho sempre que explicar o que decorre nas histórias.
Passemos então à opinião de hoje!

O Tatuador de Auschwitz, de Heather Morris, trás-nos uma história que nos faz passar por uma série de emoções e que nos toca profundamente.
Dá-nos a conhecer a história de Lale Sokolov, um judeu que tal como tantos outros, foi levado para campos de concentração, neste caso para o de Auschwitz – Birkenau.

Desde o primeiro dia em que deu entrada no campo, apercebeu-se de onde estava, e decidiu lutar pela sua sobrevivência. Foi esse instinto que o fez aceitar a tarefa – na minha opinião, extremamente traumatizante – de tatuar a identidade dos prisioneiros que chegavam: um número, nos seus pulsos, pelo qual seriam conhecidos. A partir dali, eram nada mais, nada menos, que um número.

“Hei de viver e deixar este lugar. Sairei daqui em liberdade. E, se o Inferno existe, hei de ver estes assassinos arderem lá”

Era esta a frase que motivava Lale a não desistir, a lutar pela sobrevivência com unhas e dentes.
Como estava encarregue de ser o tetovierer (tatuador), tinha direito a ração extra, o que acabava por ser uma motivação. Lale acreditava que, ao trabalhar para as SS, acabaria por sobreviver.

O que Lale não esperava era vir a apaixonar-se naquele pedaço de inferno e crueldade. Gita era uma das inúmeras mulheres na fila para serem tatuadas para darem entrada naquele que seria, para muitos, a sua última morada. Seria marcada com o número 34902. Será por este número que, primeiramente, Lale se refere à amada.

Ao conhecerem-se, imensas perguntas pairavam no ar: quem era Gita? De onde vinha? Como era a vida dela antes daqueles momentos?
Gita sempre lhe disse que só lhe revelaria o apelido quando estivessem livres daquele inferno. Ainda assim, Lale, sem conhecer o passado de Gita, foi-se perdendo cada vez mais nos seus encantos, e dando asas a uma paixão que seria impensável surgir no meio de tanto ódio.

Apoiado pelo seu supervisor – Baretski – Lale comunicava com Gita, encontrava-se com ela, dando-lhe mesmo alguns presentes, o que, por momentos, lhes dava a sensação de liberdade.
Lale, que tinha direito a um quarto próprio, por ser empregado do campo, chegou a partilhar o Bloco com ciganos, tendo assistido à caminhada de muitos deles para a morte, ficando inconsolável e desabafando com Gita todos os horrores que testemunhava.

(Não vou resumir a história, embora me dê imensa vontade, mas quero que vocês leiam o livro).

E agora, o derradeiro spoiler: ambos sobrevivem.
Saíram ambos de Auschwitz em alturas diferentes, tendo seguido o seu rumo para longe dali, continuando a lutar pela sobrevivência na sua terra natal: a Eslováquia.
Chegados a casa, separados, pois não sabiam um do outro desde que Gita lhe tinha gritado o seu apelido ao sair do portão, Lale decidiu ir à sua procura.
Sugeriram-lhe que procurasse na Cruz Vermelha, que na altura estava a fazer uma recolha de nomes de sobreviventes que procuravam família e amigos.

Mas, a caminho da rua da Cruz Vermelha, Lale e Gita encontram-se. E finalmente, aí, se sentem livres e completos, como não se sentiam desde que tinham entrado naquele campo de horrores.

Este livro fez-me sorrir, chorar, sentir revolta e indignação. Quem eram os nazis para definir quem matar? Porquê acharem-se mais do que os outros? Como é que a religião pode ser motivo para matar alguém?
Como podem calcular, esta obra faz-nos pensar no momento atual. Nos crimes de ódio que se vivem para com quem seja diferente do “normal”. (Mas afinal de contas o que é o normal? Quem o define? Não será essa definição egoísta?)

Se nós estamos cá, foi porque todos tivemos direito à vida. E não somos ninguém para matar (seja com atos, com palavras ou com julgamentos) outra pessoa. Seja ela por ser católica, muçulmana, budista, pertencente à comunidade LGBT, hippie, gótica, sei lá, poderia estar aqui imenso tempo a enumerar coisas pelas quais, hoje em dia, nos andamos a matar uns aos outros.

Este livro foi escrito com base num conjunto de entrevistas que Lale Sokolov deu a Heather Morris, embora a medo, pois não queria ser considerado colaborador dos crimes de guerra cometidos pelos nazis. Queria demonstrar que apenas lutou pela sobrevivência, não fazendo mal algum a ninguém. E principalmente, mostrar ao mundo que o amor, mesmo nos piores cenários pode nascer, crescer, e fazer-nos lutar por um mundo melhor. Não seria isso que todos deveríamos fazer? Ir buscar forças ao amor para sobreviver neste mundo virado do avesso?

Frase a levar para a vida:

“Lá por estarmos metidos na merda, não quer dizer que nos afoguemos nela”

Se leram isto tudo até aqui: obrigada. Por acreditarem que aqui estaria escrito alguma coisa que valesse a pena ler.
Espero que continuem a acompanhar o meu trabalho neste blog.

Beijinhos e abraços,
Maria João Francisco

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