Darkest Hour – A Hora Mais Negra

Estamos no Reino Unido, em plena Segunda Guerra Mundial e o actual Primeiro Ministro Neville Chamberlain está sob o fogo da oposição, sendo acusado de incompetência para ser líder e gerir a guerra.

Assim, Chamberlain, demite-se mas não antes de eleger um substituto… algo que se demonstra difícil em tempos de guerra. Assim, contra vontade do seu próprio partido, a sua escolha recai sobre o menosprezado Churchill.

Churchill tinha consciência do porquê que tinha sido escolhido pelo líder do partido, neste momento tão inglório e difícil. Mas tal não o impede de lutar pelo seu país e pelo mundo contra Hitler e a Alemanha Nazi.

 

Inês:

Como todos os filmes sobre figuras históricas, também este romantiza as figuras que retrata; mas qualquer filme a falar mal do Hitler é bom na minha opinião.

Confesso que tinha algum medo deste filme, já que o elenco e as performances excelentes não salvaram o filme “A Dama de Ferro” de romantizar a carreira de Margaret Tatcher, uma pessoa no mínimo intragável.

De todos os nomeados a Óscar, este seria um daqueles filmes que eu não teria visto se não fosse por este blogue. Não que tivesse algo contra ele, se passasse na televisão não mudava de canal, mas porque já ouvi gente que chegue a idolatrar o Churchill, sobretudo depois do Brexit, como se o homem concordasse com alguma das baboseiras que andam a dizer.

Mas ao contrário do filme sobre a Tatcher (apesar de continuar a ser fã inveterada da Meryl Streep, e se disser alguma coisa de mal contra a senhora a Helena bate-me), este filme reconhece as falhas do Churchill, para além do problema de bebida. E isso humaniza-o, torna-o mortal, como nós, em vez do destemido líder que enfrentou os Nazis e salvou a Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial. Era um homem, de quem muito pouca gente gostava, que por sua vez gostava demasiado de beber, e que acabou por ser tramado pelo próprio partido – sim, porque aquela nomeação não foi honra nenhuma, foram eles a tentar atirar alguém para a fogueira – e que mesmo assim, conseguiu o impossível: manter um país unido em tempo de guerra. Não um Deus, ou um génio militar, um prodígio, ou um virtuoso; um homem com falhas profundas, que ainda assim conseguiu ter discernimento suficiente para ver o perigo que se aproximava, e para saber quando aproveitar a sua lendária teimosia.

Sou parcial para com personagens sarcásticas, mas desta vez acho que podem concordar comigo. Vale a pena lembrar este homem.

 

Margarida:
Quando comecei a ver este filme não tinha grandes expectativas. Na verdade não tinha expectativas nenhumas… A única coisa que sabia deste filme era que representava a guerra, o que não é de todo o meu tipo de filme

Comecei a ver é pensei: “Bom, lá terei de ver duas horas de seca!” O que aconteceu foi bastante simples, não só essas duas horas passaram rápido, como não me importava de ter visto mais

O filme retrata o ano de 1940 em que a Europa estava prestes a sucumbir à ditadura nazi.

Seguimos então o percurso de Winston Churchill que ao ser eleito primeiro ministro da Inglaterra tem em mãos uma tarefa quase impossível: dar esperança, não só ao povo inglês mas também ao resto da Europa que ainda se opunha aos avanços nazis.

Quando ninguém mais acreditava que a vitória era possível, Churchill é o único nas salas de Guerra que ainda pensa em resistir.

Indesejado desde o início do seu mandato, Churchill teve de provar a si próprio e a todos os que dele duvidavam da sua força de carácter, que o povo Inglês não estava pronto a baixar os braços.

Embora grande parte do filme tenha sido passada nas salas de guerra, de vez em quando somos presenteados com uma visão dos campos de batalha, fazendo-nos tomar conhecimento das consequências de todas as decisões que estavam a ser tomadas, sendo elas boas ou más.

Ao longo do filme surgem várias personagens históricas que me fazem lamentar ter um conhecimento tão limitado neste aspecto, uma vez que não entendi algumas das referências.

A época foi muito bem retratada, desde as roupas, aos sotaques das personagens, as casas e os edifícios importantes.

Não fiquem há espera de ver paisagens bonitas, ou cenários visualmente apelativos, este é um filme que mostra um percurso mental, onde todos os problemas , soluções e decisões são tomadas e as consequências imediatas.

Não tem muitos momentos de acção propriamente dita, mas continua a ser bastante envolvente, deixando transparecer o impasse que se vivia na altura, onde a única opção era fugir ou lutar.

Em suma, um filme que recomendo vivamente a amantes de filmes históricos.

 

Helena:

Não é um filme de acção, como a maioria das pessoas gosta. São raras as vezes que as cenas de guerra e soldados são retratadas, o que quis mostrar (e foi conseguido) foi onde e como se toma as decisões que a seguir se reflectem no campo de batalha. Tal como actualmente acontece e vai ser assim durante o resto da humanidade.

Churchill é um homem indesejado, grosseiro, teimoso, sarcástico (eu até gosto disso, porque também sou… – apesar de muita gente sentir que quem é sarcástico apenas provoca dor) e consegue ser insuportável (ora, todos somos insuportáveis). Ninguém iria escolhe-lo para ser Primeiro Ministro… Mas foi, e não porque o país estivesse no seu melhor momento, mas porque para além de ninguém quer ocupar o lugar… a ideia de colocar as culpa quando tudo corre de mal a pior em quem não gostamos é demasiada sedutora.

O mais impressionante é que, Churchill foi o único a prever no que o Hitler se iria tornar e não foi ouvido apenas porque era desprezado.

Já a ocupar o cargo de Primeiro Ministro, encontra oposição dentro do seu próprio partido perante as decisões que toma. Está a combater duas guerras; e é essencial que vença aquela que se encontra sentada à mesa com ele para depois conseguir lutar contra a Alemanha Nazi. Quando a situação se encontra “negra”, encontra apoio onde menos espera; o Rei (que também não gostava muito de Churchill) decide apoiar a decisão de resistir até ao fim, independente das consequências que daí resultassem. Baixar os braços e entregar o Reino Unido a um louco assassino estava fora de questão.

Com os seus discursos eloquentes (o homem poderia ter um problema de fala, que foi de facto muito bem retratado no filme, mas sabia como cativar as pessoas) motivou uma nação inteira a não desistir, a lutar até ao fim e a ter esperança em um futuro melhor.

“Success is not final. Failure is not fatal. It is courage to continue that counts.” – Winston Churchill

 

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