The Post

O filme “The Post” conta a história de como os jornais em 1971 – neste caso específico o jornal The Whashintong Post – publicaram os “Penatagon Papers” (“Papéis do Pentágono”) – um relatório secreto com um total de 14 mil páginas organizado em 47 volumes, sobre a Guerra no Vietname, revelando ao povo americano e ao mundo o que realmente se estava a passar.

Esse relatório realizado pelos Estados Unidos em relação à Guerra do Vietname continha segredos de três décadas, o que equivale a quatro presidentes dos Estados Unidos… tudo nesse relatório apontava para um única conclusão: os Estados Unidos nunca iriam vencer. Porém o que era transmitido perante o mundo era exactamente o contrário.

Nisto, um funcionário do Pentágono – incumbido de fazer o relatório – decide que era necessário que os americanos soubessem que realmente se passava e fotocopia o relatório para mais tarde entregar aos jornais.

Após o “New York Times” ter publicado parte do relatório, o Presidente Nixon processa o jornal utilizando como argumento a Lei de Espionagem e proíbe todos os outros jornais de igualarem tais actos. Porém o editor-chefe do The Post, Ben decide continuar o que The Times tinha começado e aproveitar para chamar atenção para o The Post – nesta altura ainda era um jornal local de pequena dimensão; enquanto Ben procurava mais informação, Kay a dona do The Post lançava as acções do jornal na Bolsa de Valores para que o jornal crescesse.

É Kay quem, sobre pressão e discórdia, decide se o jornal expõe mais informações sobre o relatório, essa decisão poderá levar não só por água as carreiras de todos os que trabalham para ela como também a liberdade de todos os que no The Post trabalham… incluindo ela própria.

 

Helena:

Um filme com direcção de Steven Spielberg, as personagens principais são interpretadas por Meryl Streep (Kay Graham) e Tom Hanks (Ben Bradlee), onde o enredo é baseado em factos verídicos sobre um escândalo de guerra que envolve os Estados Unidos… mesmo que não tivesse sido nomeado para os Óscares era impossível não querer ver!

Confesso que sabia pouco sobre a história dos “Pentagon Papers”, por isso tive de ir pesquisar um pouco sobre isso. Obrigada Google. “Pentagon Papers” foi o título que o jornal Times lhe deu, porque o verdadeiro nome do relatório é “United States – Vietnam Relations, 1945-1967: A Study Prepared by the Department of Defense”… realmente “Pentagon Papers” para além de soar melhor, é mais fácil de memorizar!

O que me chocou um bocado – se bem que actualmente estas situações ainda acontecerem – é a razão, a justificação pela qual a conclusão do relatório nunca ter vindo a público por parte do Estado Americano: orgulho. O facto de que o mundo pudesse saber que a guerra nunca iria ser ganha pela maior potencia do mundo (na altura) era considerado um risco, pois iria colocar em questão o poder que os Estados Unidos realmente detinham sobre o resto do mundo… e vamos ser sinceros Nixon não queria que a sua presidência fosse marcada por esse facto em concreto. Este orgulho desmedido provocou a morte desnecessárias (na minha opinião, todas as mortes causadas foram desnecessárias), quando já se sabia que nunca se iria vencer; para além do dinheiro gasto na guerra. Pergunto-me: se a verdade nunca viesse à superfície (neste caso teve de ser resgatada!), quantos mais anos esta guerra teria durado? Hoje em dia torna-se um pouco mais difícil fazer o que Daniel Ellsberg fez: roubar informação secreta… embora me lembre do wikiLeaks.

Nixon tentou fazer nos Estados Unidos o que se fez em Portugal durante a ditadura, passar o lápis azul sobre os órgãos de imprensa, felizmente não conseguiu. Apesar de hoje em dia não podermos colocar toda a nossa confiança em todos os jornais (vamos ser sinceros, há jornais que são nheca) e com as redes sociais a espalharem falsas notícias, por vezes fica difícil de saber o que é verdade ou não, a comunicação social tem como objectivo informar e para isso tem de ter liberdade de expressão (um direito universal expresso na Carta dos Direitos Humanos… para todos nós). Isso desagrada à maioria (todos) os governos!

A personagem Kay, torna-se dona do The Post aquando do suicídio do seu marido e entra para “um mundo de homens”. O contraste é notório quando um homem dá opinião e quando ela dá a sua opinião. Numa cena, quando Kay finalmente decide publicar e expor mais sobre o relatório apesar de todos os riscos que corre,  a esposa de Ben afirma que é Kay quem é realmente a mais corajosa de todos os envolvidos. Essa cena tocou-me porque foi verdade e continua a ser verdade. Quando se é invisível aos outros, a tua opinião não é tida em conta, a tua inteligência não existe e és tomada como inapta durante tanto tempo, começas a acreditar realmente nisso. A evolução de Kay durante o enredo é notável, ela passou de uma mulher insegura e tida como incapaz para o cargo que ocupava para uma mulher confiante e que sabe fazer ouvir a sua voz. “Este jornal já não é do meu pai. Já não é do meu marido. É meu. E quem não for capaz de lidar com isso não merece um lugar na administração”, palavras de Kay.

 

Inês:

Um dos filmes mais subtis do Spielberg, um dos mais calmos até, diria eu. O que é irónico, tendo em conta a guerra, a confusão, e a subsequente correria e paranóia presentes ao longo da história.

Como sempre, Maryl Streep e Tom Hanks oferecem performances espetaculares, e têm em conjunto uma química que, confesso, considerava improvável, mas que funciona perfeitamente.

Tal como todas as histórias baseadas em factos e eventos reais, também este filme é…não quero dizer romantizado, mas definitivamente mais dramático do que aquilo que efetivamente se passou.

Se bem que neste caso específico, é quase ridículo o quão improvável a realidade é. Quer dizer, uma conspiração; um encobrimento da mesma que dura anos; uma verdade que é revelada quase por acaso, e aos bocadinhos; e uma verdade que, de cada vez que é revelada, fica um bocado pior. Há filmes de espiões com menos intriga do que isto.

Na minha humilde opinião, existem três histórias/tópicos principais presentes no filme:

1º: A falta de preocupação e cuidado por parte do governo dos Estados Unidos, o desrespeito descarado para com os soldados que deram a vida pelo seu país, para com os soldados que não tiveram o azar de morrer e serem lembrados como heróis, ficando relegados a mendigos sem ajuda de qualquer espécie, e para com o povo Americano de um modo geral. Uma mensagem relevante nos dias de hoje, se querem que vos diga. O governo a mentir e a ludibriar, a querer fazer parecer que os EUA são os maiores, quando na verdade é tudo uma grande treta. Já perceberam, ou tenho que fazer um desenho?

2º: O papel dos media, e a sua importância no que toca a relatar acontecimentos, e a moldar, ou por vezes até formar a opinião pública. Tendo em conta que na altura eram os jornais a força motriz por detrás deste poder de influência, faz todo o sentido que a história se foque neles. E isto leva-me ao meu terceiro tópico:

Os paralelos entre a situação do jornal, e a vida da mulher que o controla. O Washington Post está a afundar, devido a intrigas internas – a morte do antigo dono/chefe, a contratação do novo jornalista que é descrito como sendo um “pirata” -, e intrigas mais externas, nomeadamente, o facto de a nova proprietária/chefe ser uma mulher. E isto não sou eu a tirar elações, as personagens dizem isto diretamente, mais do que uma vez até.

Tem uma certa graça, no final das contas. Esta história acaba por ser uma representação perfeita da expressão “há males que vêm por bem” – é descoberta uma conspiração tremenda, na qual estão envolvidas pessoas amigas da chefe (Kay), e acaba por ser a escolha dela em publicar a história que salva tanto o jornal, como a sua reputação enquanto líder e mulher de negócios.

Apesar de ser um filme excelente, não teve em mim tanto impacto como outros dos nomeados (especialmente alguns que ainda não foram falados neste blogue). Mesmo assim, isso não tira qualidade absolutamente nenhuma ao filme, e recomendo-o vivamente.

 

Margarida: Férias!!!!

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