The Shape of Water – A Forma da Água

Eliza é funcionária de limpeza de um laboratório do Estado onde ocorrem experiências. A rotina de Eliza é sempre a mesma: acordar, fazer o pequeno-almoço, tomar banho, deixar o pequeno almoço ao seu vizinho e amigo (Giles), apanhar o autocarro para ir para o trabalho. O seu mundo é um pouco solitário devido ao facto de ser muda.

Porém um dia, chega às instalações do laboratório uma experiência secreta que vai mudar a vida de Eliza. Esta descobre que a experiência é sobre um ser marinho com uma forma humanóide (homem-peixe). Levada pela curiosidade, Eliza começa a comunicar com o ser marinho. Todos os dias, depois da limpeza e à hora de almoço Eliza escapa-se para o laboratório T4 para estar com a criatura. Os dois acabam por se tornar amigos, essa amizade rapidamente evolui para amor.

Quando Eliza fica a saber que o Estado plane-a, apesar dos esforços contrários do cientista Hoffstetier, matá-lo para dissecar. A urgência de salvar quem ama, Eliza trás para o seu plano de resgate Giles e Zelda, juntando-se também o cientista Hoffstetier. Todos eles lutam não só contra o tempo como também contra Strickland que fará de tudo para cumprir as ordens que recebeu: matar a criatura.

 

Helena:

Logo nos primeiros minutos onde apresentam a rotina diária de Eliza, o filme teve a capacidade de me impressionar, pela presença da água ser constante ainda antes de conhecermos a criatura marinha. E reparem que a água acompanhou a vida de Eliza, pois ela foi abandonada perto do rio quando era bebé.

Todos os pormenores, detalhes do filme significam algo, é preciso estar atento e isso maravilha-me; é quase como estar a ler um livro! Por exemplo, as cicatrizes de Eliza eram simplesmente (ou transformaram-se em) guelras.

O título para o filme é perfeito, porque a água toma muitas formas e neste caso tomou a forma da amizade e do amor (é… o filme deixou-me assim: romântica). (Como amante da água, comecei a ter aulas de natação por volta dos 8 anos e ainda hoje dou um pulinho às aulas de natação apesar de já ter ultrapassado a idade máxima para as frequentar)

A relação entre todas personagens demonstram muitos preconceitos que ainda hoje existem: racismo, machismo, homofobia e preconceito com aqueles que sofrem de algum tipo de deficiência.

Algo que também me fascinou durante todo o filme é Eliza, a personagem como sendo muda, transforma totalmente o filme. Todas as personagens falam e o facto de ela não falar tornou ainda mais interessante e além de que me fez achar que as pessoas falam demais… como a sua amiga Zelda que está sempre a queixar-se 😛 Outro apontamento em relação a isso, quando a Eliza fala através de gestos existe uma legenda ou uma das outras personagens transmite a mensagem, fez-me reflectir que nos filmes não existe a tal caixinha que transmite a mensagem em língua gestual. Olá igualdade, onde foste??? E porque é que não aprendemos, assim que entramos para a escola, língua gestual???

Dou os meus parabéns não só a Sally Hawkins que interpreta de forma maravilhosa Eliza, como também dou os meus parabéns a Doug Jones não só pela sua interpretação como a criatura marinha, como também por todas as personagens que já interpretou; ele é o “homem da máscara”, muitos dos filmes que têm criaturas humanóides foi ele quem interpretou, o filme “O Labirinto do Fauno”, todos os filmes do “Hell Boy” são alguns exemplos.

P.S.: Amo a atriz Octavia Spencer e todas as personagens que ela já interpretou!!! <3

 

Inês:

Eu sou suspeitíssima para falar deste filme, porque sou fã inveterada do Guillermo del Toro. E embora ainda ache que O Labirinto do Fauno é o seu melhor filme, A Forma da Água é provavelmente o meu segundo favorito.

Já ouvi chamarem a este filme um conto de fadas para adultos, e honestamente, parece-me uma boa descrição. Uma espécie de Bela e o Monstro, mas com uma história mais crua, mais violenta, mais real.

Acho que é demasiado fácil gozar com a relação amorosa representada no filme, ou pelo menos com partes dela, mas também acho que isso é só um pormenor.

Mais do que amor romântico, o filme é sobre amor incondicional, e isso inclui família, neste caso composta por pessoas que não têm laços de sangue entre si. Uma família de párias e rejeitados. Uma família nascida da escolha.

Para além desta mensagem lindíssima, eu ADORO o facto de todos os estereótipos de filmes de monstros serem invertidos – a donzela não é indefesa (além de engenhosa, é teimosa que nem uma mula), nem perfeita (algo que todos à sua volta insistem em lembrá-la); a melhor amiga, para além de a apoiar incondicionalmente (enfrenta tanto o vilão, como o marido, mesmo sob ameaça de morte) é uma personagem semelhante à principal, na medida em que também ela não tinha voz naquele mundo; a figura masculina (o vizinho), é um artista sensível e talentoso, que é constantemente rejeitado pela sua sexualidade (aproveito para dizer o quanto eu AMO o del Toro por não ter medo de pôr as suas personagens masculinas a sentir e expressar emoções), e que se põe ainda mais em risco para ajudar a única amiga que nºao o abandonou, e que partilha a sua paixão por musicais; e por último o vilão, aquele que, em qualquer outro filme do género, seria o bravo galã, que vê para além dos defeitos da donzela (na verdade o interesse dele nela é extremamente sinistro), derrota o monstro (depois de o ter raptado do seu habitat onde ele vivia em paz), e salva o dia. Até olho azul ele tem.

Mas no final, nem a mítica pergunta de quem é o verdadeiro monstro permanece, a resposta é quase descaradamente óbvia.

Sim, confesso, o conceito de um homem-peixe também me é estranho, mas após o filme, e ainda durante, fui capaz de perceber o porquê do interesse. É simbólico. É simbólico para todos aqueles que já se sentiram marginalizados, seja porque motivo for. É um símbolo de esperança, porque, se o casal principal do filme foi capaz de encontrar alguém que os compreendesse e aceitasse completamente, se calhar nós comuns mortais somos capazes de ter a mesma sorte.

 

Margarida:

Quando acabei de ver o filme fiquei encantada. Portanto podem perceber que tudo acaba bem. Tal como um bom romance clichê. No entanto asseguro-vos que este filme tem tudo menos clichês… Ou pelo menos, abaixo da média…

Adoro romances é um facto. Leio romances, vejo montes de filmes românticos e a certa altura chego a ter a sensação que estou a ver o mesmo filme vezes e  vezes sem conta, porque a história é sempre a mesma… Ou muito parecida: Os dois conhecem-se, apaixonam-se, há um problema qualquer e depois resolvem-se e fica tudo bem.

Devo dizer que “The Shape of Water” foi uma rajada de ar fresco nos romances atuais. Completamente diferente: as cores, os sons, as personagens, a história em si… Nem sei por onde começar.

Em relação ás personagens, a nossa heroína é muda, o que torna um pouco mais complexo o trabalho do espectador que tem de ficar mais atento á expressão corporal e facial da personagem, para perceber o que ela diz ou faz subentender.  O monstro é um bocado assustador ao início mas começamos a habituar-nos e a gostar imenso dele. (É mesmo fofinho!!). Lá pelo meio até eu tinha um fraquinho pelo monstro.

As imagens são um pouco obscuras, com pouca cor e pouca luminosidade que dão todo um ar de mistério ao enredo, levando-nos a crer que tudo pode acontecer a qualquer momento.

Por último, a respeito da história, devo dizer que achei invulgar e talvez para algumas pessoas seja um pouco repugnante ( Ao fim de contas é um “peixe”!), mas não deixa de ser uma história de  amor. Simplesmente lindo. Acho que quem gosta de romances como eu vai adorar.

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