Clube do Livro: Origem

Edmond Kirsch, é o famoso e mais bem-sucedido futurólogo (especialista na teoria dos jogos – campo da matemática que estuda padrões com objetivo de fazer previsões sobre o futuro – e modelagem por computador) do mundo e um ateu assumido, e fez uma descoberta que vai mudar a forma como a humanidade olha a religião, independentemente de qual; e até daqueles que não são religiosos. Edmond, descobriu a respostas a duas questões com que o ser humano vive obcecado:

De onde viemos?

Para onde vamos?

Para apresentar esta descoberta ao mundo, Edmond preparou ao pormenor uma estrondosa apresentação, porém durante a mesma e instantes de dar respostas às duas grandes perguntas, é assassinado à frente não só dos convidados da apresentação como do mundo inteiro – uma vez que o evento estava a ser transmitido ao vivo pela Internet. Deixando não apenas o mundo inteiro obcecado pela descoberta que fez como também quem o assassinou e qual a razão! Obviamente que boatos e especulações crescem a uma velocidade enorme, como seria de esperar.

Robert Langdon havia sido professor de Edmond e haviam ficado amigos depois deste ter concluído os seus estudos. Robert foi o convidado especial de Edmond, e também contribuiu – involuntariamente – em parte da apresentação do seu ex-aluno e grande amigo. Ao assistir à morte de Edmond decide em honra do seu amigo e também génio visionário que o mundo perdeu expor a descoberta de Edmond com ajuda de Ambra – nada mais, nada menos que a noiva do príncipe de Espanha – e Winston – um supercomputador criado por Edmond.

 

Margarida:

Em primeiro lugar devo dizer que gosto muito das obras de Dan Brown. O escritor tem o dom de nos deixar agarrados ao enredo na expectativa, fascinando-nos com os mistérios e quebra-cabeças por desvendar.

Em relação á mais recente aventura do professor Robert Langdon em “A Origem” devo dizer que esperava outra coisa. Não consigo dizer se melhor ou pior, apenas que foi diferente daquilo que era expectável de Dan Brown.

Esta obra distingue-se das outras que li do autor, pois paralelamente ao conflito entre ciência e religião, demonstra que o futuro tecnológico já está realmente a acontecer. Desta vez, Langdon não vai mergulhar no passado, em vez disso embrenha-se no caminho sinuoso das novas tecnologias, interagindo com supercomputadores e inteligências artificiais.

Honestamente, achei o início do livro um pouco cansativo com vastas descrições, sem nada efetivamente interessante a acontecer.

O final, também ficou um pouco aquém do previsto. Esperava que a grande revelação fosse algo que deixasse o leitor de queixo caído. Não aconteceu. O autor promete desde o início que a grande descoberta vai abalar os alicerces de todas as religiões e gerar uma onda de controvérsia em todo o mundo, mas no fim isso não me parece lá muito credível.

Pontos positivos, gostei bastante de grande parte da narrativa ser passada em Espanha, que é logo aqui ao lado!  Fiquei com curiosidade em visitar alguns dos lugares por onde o professor Langdon passou: o Museu Guggenheim, a Casa Milá, a Igreja da Sagrada Família e muitos outros pontos de referência.

Outro aspeto que apreciei bastante foi a interação do professor com Winston, a inteligência artificial, com o qual simpatizei logo desde o início, se bem que posso ter mudado de opinião ao longo da história. Mas ao fim de contas é um computador não é? Um conjunto de números e contas e fórmulas. Quem pode censurá-lo?

Este livro deixa-nos a pensar. Não tanto “De Onde  Viemos?” e sim “Para Onde vamos?” Não tanto em termos sido criados por Deus ou não, mas para onde se está a dirigir a Humanidade e o mundo tal como o conhecemos. Não na “Origem”, mas no “Destino”…

 

Inês:

Sinceramente? Achei bom. Só isso. Não foi mau, não foi dececionante, não foi fantástico. Foi bom. Eu gosto do estilo de escrita do Dan Brown, gosto da personagem principal na maioria das vezes, e sabe Deus que adoro a arte de Gaudí – por falar nisso, mais alguém se lembra de um desenho animado sobre a arte de Gaudí que dava no canal Panda? Bons tempos – mas acho que esta história é “mais do mesmo”. Robert Langdon vai a uma conferência (ou assistir ou discursar), alguma coisa corre mal (muitas vezes ligadas a alguém do seu passado), e Langdon é a única pessoa que pode salvar o mundo, juntamente com uma companheira (sempre jovem e bonita).

O início é muito forte, desta vez com implicações filosóficas, científicas e religiosas, com consequências extremas para todas estas disciplinas. Isto dá o mote para um épico, que acaba por não acontecer, a história desenvolve-se aos poucos. Normalmente gosto deste tipo de narrativa, mas tendo em conta o sentimento de urgência e ansiedade estabelecido no início do livro, a progressão parece lenta demais.

Este final também fica a saber a pouco, parecendo previsível, especialmente depois do final de “Inferno” (SPOILERS), no qual não conseguiram salvar o dia, invertendo completamente as expectativas dos leitores. Não me entendam mal, gostei do final na mesma, mas o facto de me parecer previsível tira alguma graça à coisa.

Se este fosse adaptado para filme seria o mais aborrecido de todos (especialmente para audiência europeias, que conhecem de cor e salteado mais de metade da porcaria que aconteceu em Espanha), mas acho que não seria o mais controverso – essa honra continuaria a caber à adaptação de “Inferno”, na qual (SPOILERS, sim, hoje não em calo com isto) mudaram completamente o final.

E já que estamos a falar disto, aproveito para apontar a falha monumental da parte do senho Dan Brown, que foi não fazer de todas as companheiras de Robert Langdon que vieram depois do Código Da Vinci descendentes dos apóstolos de Jesus.  Que desperdício.

 

Helena:

Como eu adoro as obras de Gaudí – e sim, Inês, gosto por causa desses desenhos animados! – apesar de nunca ter posto os meus pés de Cinderela em Espanha. Apartes de lado, “Origem” é o primeiro livro que leio de Dan Brown. Sei o que estão a pensar. Não me matem. Mas o meu género de livro é mais Fantasia, algo que tenho tentado evitar colocar ainda aqui, porque quando começar… mas se espreitarem a minha estante – que está a ficar perigosamente cheia! – irão verificar que é basicamente só livros de fantasia.

José Rodrigues dos Santos partilha o mesmo género deste autor, mas não me consegue cativar tanto quanto Dan Brown. Para além da capacidade de agarrar o leitor ao livro, uma coisa que adoro nestes dois escritores é o facto de nos darem mais conhecimento. É maravilhoso estar a ler um livro, por lazer e não por obrigação – olá universidade –, e aprender algo!

Porém, as minhas expectativas estavam demasiado altas… só consegui ficar agarrada ao livro depois de ultrapassar a 100º página. A luta que tive de fazer para não largar o livro foi enorme, acreditem, só continuei porque era para o blogue. Acho que só irei largar um livro, da nossa rubrica “O Clube do Livro”, se não prestar mesmo. Juro! Aconselho a leitura, mas não é assim um livro que eu diga “MUITO BOM, tens MESMO de ler!”.

Não me vou referir às personagens, como a Margarida e a Inês já o fizeram, porque é o mesmo de sempre e é raro o livro que foge à regra. Em relação a Winston, só me assusta mais o progresso com robôs com inteligência artificial. O que me faz lembrar a série que já aqui fiz uma publicação Orphan Black, onde uma das clones afirma que os cientistas estão só a a bater com um pau algo para ver qual a sua reacção… não estão propriamente a pensar em todas as possíveis reacções.

“De onde viemos?”, a humanidade já o sabe há muito tempo, porque a ciência já o explicou – sim, não sou religiosa. Repito as vezes que forem necessárias. “Para onde vamos”? a curto prazo enquanto espécie, claro, penso que personagem Edmond não estará longe da verdade…

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