Mulherzinhas

As quatro irmãs, Meg (Margaret), Jo (Josephine), Beth (Elizabeth) e Amy, juntamente com a sua mãe (Senhora March) e Hannah (mais do que uma empregada da casa, uma amiga) tentam superar as dificuldades económicas da família e lidar com a ausência do Senhor March que está na guerra.

No dia de Natal as quatro irmãs sentem-se tristes devido à sua família não estar reunida, porém uma carta do seu pai anima-as para o ano que passaram sem ele, incitando-as não só a cumprir todas as suas tarefas como também a ultrapassar os seus defeitos e assim tornarem-se não só melhores pessoas como também meninas crescidas: mulherzinhas.

“Manda muitos beijos e todo o meu amor às minhas filhas. Diz-lhes que penso nelas durante o dia, rezo por elas à noite e que elas são o meu maior consolo. Este ano que passarei sem as ver parece-me interminável, mas recorda-as de que, enquanto esperamos para nos rever, podemos todos trabalhar para estes tempos difíceis não sejam um desperdício. Sei que se recordarão de tudo o que lhes disse, que serão boas para ti, cumprirão os seus deveres e procurarão lutar para vencer os seus defeitos, para que, quando eu voltar, me possa sentir ainda mais orgulhoso das minhas mulherzinhas.”

Margaret ou Meg, como todos lhe chamam tem dezasseis anos e é a mais velha das quatro irmãs, tendo assim uma grande influencia sobre as mesmas. Meg é quem sofre mais com as memórias dos tempos mais abastados da família, pois o Senhor March perdeu a sua fortuna a tentar ajudar um amigo. Ter boas maneiras, comportar-se como uma dama e desejar com que a família volte a ser novamente rica é um dos seus maiores sonhos. Meg apesar de não se envergonhar de ser de uma família humilde, por vezes sente-se posta de parte por outras raparigas de posições económicas superiores à sua, humilhando-a. Porém esta rapidamente coloca o seu orgulho como escudo de defesa. Consegue ser mandona, resmungona e por vezes um pouco picuinhas. É das quatro a mais bela das irmãs.

Josephine ou simplesmente Jo, é a Maria Rapaz das quatro e a segunda mais velha com quinze anos. Inconformada por crescer e ter de se comportar como uma senhora, Jo é quem tem o temperamento mais explosivo e uma língua tão rápida quanto afiada. Preferia mil vezes correr livre e cavalgar como os rapazes do que ter de ouvir as conversas chatas das raparigas da idade dela. Jo está na fase da adolescência, onde ainda não sabe muito bem o que fazer com os seus longos braços e pernas, é por isso extremamente desastrada. É também uma amante de literatura e escrita.

Tanto Meg como Jo já não frequentam a escola, tendo tomado a decisão de não sobrecarregar a sua mãe com as suas despeças e por isso ajudar, trabalhando. Meg é perceptora (o que significa que é professora privada de uma família com posses) enquanto Jo teve de se resignar em ser a dama de companhia da velha rica e preconceituosa tia March.

Elizabeth ou Beth, é o pequeno anjo de treze anos que apazigua a família. Demasiado tímida, Beth estuda em casa por decisão dos seus pais. A sua timidez dificulta novas amizades e a socialização com outras pessoas. Todos os dias a doce Beth cumpre as suas tarefas como se de um relógio suíço se tratasse e empenha-se ao máximo no estudo. Beth é uma amante da música e é ela quem toca de forma bela o velho e desafinado piano da casa.

“Há muitas Beths neste mundo, tímidas e sossegadas, sentadas nos seus cantos à espera que alguém precise delas e as chame, a viver tão alegremente em prol dos outros que ninguém se apercebe dos sacrifícios que fazem até um dia o pequeno grilo deixa de cantar e a sua presença doce e radiante desaparece, deixando apenas sombra e silêncio.”

Amy é a mais nova da família, com apenas doze anos, mas já tem uma personalidade fincada e pôs de lado tudo o que tem a ver com ser criança, apesar de ainda ser uma. É um pouco parecida com Meg, sonha com riquezas e uma boa vida sem preocupações. As suas boas maneiras e inteligência não só a fazem demasiada orgulhosa e exibicionista como também evitavam reprimendas e sermões pelos comportamentos menos bons. O que resulta com que esteja no caminho para ser uma menina mimada, pois todos lhes fazem as vontades, o que originava com que a sua vaidade e egoísmo crescesse com o passar do tempo. Também ela tem uma veia artística, o desenho é a sua grande paixão. Amy é quem das quatro ainda tem muito para aprender sobre a vida.

Apesar de todos estes defeitos, as quatro irmãs são generosas e boas pessoas, tendo um coração de oiro. Apesar de todas estas diferenças, apoiam-se e entreajudam-se, bem como dizem diretamente umas às outras o que pensam. Não hesitam em ajudar o próximo, tendo como exemplo a sua mãe, a Senhora March.

Durante um ano vão fazer amizades, passar por grandes desafios à sua generosidade e humildade, aprender grandes lições, lutar contra os seus defeitos, passar por momentos de grande angústia e tristeza, mas no fim irão superar tudo isso juntas e tornarem-se em umas mulherzinhas.

Ouvi falar sobre este clássico de Louisa May Alcott quando foi publicada o segundo volume da história das irmãs March, “Boas Esposas” e não resisti em ler esta obra intitulada de “Mulherzinhas”. A aconselho-vos a ler este excelente livro que nos transforma em um amigo ou outro membro da família Mach que acompanha as irmãs. De leitura fácil e em poucos instantes ficamos absorvidos na história, querendo saber como as pequenas se vão comportar das situações em que estão.

Ao acompanharmos as lutas das personagens da história, e em particular as lutas contra os seus defeitos e contra as suas dificuldades económicas, faz-nos (pelo menos a mim fez) refletir sobre os nossos próprios defeitos e a dificuldades em que nos encontramos, sejam elas quais forem. A família March é conscienciosa sobre a sua situação e sobre os seus defeitos, e tenta todos os dias ser melhor e ser feliz com o pouco que tem sem reclamar. Porém, no final desta história, é fácil observar que são bastante ricos, pois têm comida na mesa e todos os que amam perto de si.

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