Clube do Livro: Um Crime no Expresso do Oriente

Esta é uma das surpresas do blog para o ano 2018 e esperemos que gostem e que fique para toda a eternidade: “Clube do Livro”. Onde todos os meses (tentaremos!) iremos publicar a opinião das três sobre um livro escolhido por nós ou sugerido por vocês! Gostaríamos muito que participassem, não só com a vossa a opinião sobre o livro como também com sugestões sobre outros livros que gostariam de ler ou já leram e que acham interessante “discutir” sobre os mesmos. Sintam-se à vontade para expressar a vossa opinião sobre as obras aqui referidas e abrir assim lugar a uma boa conversa!

O livro escolhido para esta primeira publicação do “Clube do Livro” é “Um Crime no Expresso do Oriente”, da grande autora Agatha Christie.

Falaremos um pouco sobre esta obra antes de expressarmos a opinião de cada uma. Hercule Poirot, o famoso detective belga embarca no Expresso do Oriente, para assim ir a Londres resolver um crime. Porém durante a viagem, decorre o homicídio de um dos passageiros do comboio, onde Poirot a pedido do seu amigo e Director da Companhia irá tentar resolver. Parados devido à neve, Poirot entrevista e revista a bagagem de cada um dos passageiros do Expresso. E depara-se com estranhas coincidências e álibis perfeitos, de um comboio estranhamente apinhado, pois este não costuma transportar mais do que meia dúzia de almas… Poirot vê-se no meio de um emaranhado de intrigas e coloca o seu poderoso cérebro a funcionar para resolver a grande questão: Quem é o assassino?

Inês:

Apesar de adorar o livro (e uma das adaptações televisivas) “And Then There Was None”, “Um Crime no Expresso do Oriente” continua a ser uma das minhas histórias favoritas da Agatha Christie de um modo geral, e do Poirot em particular, estando, nesta última situação, empatada com “O Caso do Pudim de Natal”.

Christie era exímia em criar atmosferas, particularmente aquelas de alta tensão, e esse talento encontra-se patente nesta história, uma das primeiras que li, porque a minha mãe é uma grande fã de Agatha Christie, e eu devorei todos os livros dela que existiam nas estantes lá de casa.

Não me canso de dizer bem desta história, até porque foge à norma dos livros de mistério: quando vamos reler este livro, o culpado não é óbvio. Claro, há falas que fazem muito mais sentido, mas a resolução não está escondida à vista de todos, é genuinamente difícil perceber os pormenores todos.

Hercule Poirot é um detective e um ex-militar, que se apoia na sua lógica e nas suas celulazinhas cinzentas para resolver crimes. Parece mais distante, emocionalmente falando, característica atribuída tanto ao seu intelecto como à sua idade. E contudo consegue ser… compreensivo.

Margarida:

Não conhecia nem a escritora – Agatha Christie – nem o personagem, mas percebi imediatamente que estava perante uma espécie de Sherlock Holmes, mas de nacionalidade belga, mais modesto e com maneiras de um cavalheiro, ou bem, quase…

Astuto, sempre um passo adiante dos seus companheiros de investigação, guardando as suas conclusões para si próprio, Poirot conquistou-me não pela personalidade forte, não pela descrição do seu aspeto físico, mas pela inteligência e rapidez de raciocínio.

Os passageiros da carruagem Istambul-Calais têm personalidades muito marcantes, levando o leitor simpatizar com elas e convencendo-o da sua inocência. Felizmente o nosso detetive não se deixou enganar tão facilmente como eu.

A partir do momento em que se descobre que há um assassino a bordo, a história flui rapidamente, com todos os procedimentos da investigação. Cheguei a levantar algumas suspeitas ao longo dos interrogatórios e aquando da descoberta de pistas, mas logo a seguir mudava de opinião.

Deixo aqui uma reverência à autora que conseguiu deixar-me até ao último momento na expectativa. Tal como os companheiros de Poirot, eu estava desorientada com toda a informação aparentemente aleatória que ia recolhendo. Mais um factor que tornou ainda mais flagrante o brilhantismo do detective belga, que conseguiu ver mais além da trama de mentiras, provas forjadas e identidades falsas.

Helena:

Agatha Christie é uma mestre em mistério e em criar suspense. E desta vez criou um ambiente do qual nenhum dos suspeitos poderia ter saído de perto da zona do crime. Um comboio cheio de pessoas, do qual o assassino poderá estar incluído, não é de todo apelativo a qualquer um, vamos confessar. Mas o grande detective Poirot não se intimida, observa atentamente todo e qualquer aspecto da “história” de cada um dos suspeitos e todos os mais ínfimos pormenores. E questiona, todas as peças do puzzle: tanto aquelas que se encaixam na perfeição como aquelas que parecem não ter lugar de encaixe. O que para mim pareciam álibis perfeitos, talvez até demasiado… para Poirot eram senão simplesmente uma trama de mentiras.

Agatha Christie criou um detective, que à semelhança de Sherlock, usa a razão e nada mais do que a razão. Mas não se deixem enganar, pelo o bigode bem cuidado e aparência monótona e autoritária de Poirot, que sugere que este não tem coração. Poirot usa a razão, mas também sabe quando esta não é definitivamente justa com o coração.

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