Loving Vincent

Este filme é lindo. Não só o aspeto, não só as técnicas por detrás dele, mas a história em si. É uma ode, uma homenagem à memória de Vincent van Gogh.

Em termos técnicos, é o primeiro filme completamente pintado que existe. Ou seja, as cenas foram filmadas com os atores, e depois uma equipa de 100 artistas pintou, fotograma por fotograma, o filme todo, mantendo o estilo característico de van Gogh, e reproduzindo as suas pinturas.

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Para aqueles que não sabem, eu ADORO van Gogh. Não só a sua arte, mas o que ela representava.

Van Gogh sofria com depressão. E em virtude disso, toda a gente assumiu que ele se suicidou. Estamos, afinal, a falar de um homem que cortou a sua própria orelha durante um transe de absinto (sim, transe, porque absinto não causa uma simples bebedeira; aquela pôrra não bate, atropela). E ainda assim, pergunto-vos: quando olham para um quadro dele, vêm depressão? Vêm escuridão, desespero, apatia?

Os sentimentos negativos são os mais fáceis de retratar em imagens. As pessoas recorrem a todos os meios possíveis para retratarem exatamente aquilo que estão a sentir. Basta usar como exemplo a pintura universalmente reconhecida de Edvard Much, “O Grito”.

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Munch pintou este quadro para representar o que sentia quando a sua irmã estava a morrer, foi a maneira que encontrou de retratar a vontade de gritar, que não podia exercer perante o silêncio pesaroso e opressivo que se instalou na sua casa.

Agora olhem para uma pintura de van Gogh.

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Sabem o que é que eu vejo? Beleza. Alguém que era capaz de contemplar uma cena e depois captar o impacto magnífico da mesma.

Como já estabelecemos, retratar sentimentos negativos é fácil. Catártico, até. Mas pegar nesses sentimentos, olhar o mundo à nossa volta e ser capaz não só de ver, mas de absorver a beleza que nos rodeia, e transformar esses sentimentos em algo lindíssimo, expressivo, alegre, caraças, bonito que seja?

Starry Night Over the Rhone 2

Nunca ninguém, excepto Vincent van Gogh, conseguiu fazer isso.

Apesar de não ser segredo nenhum hoje em dia, muita gente ainda acredita que ele se suicidou. Não é verdade: ele foi atingido por um disparo acidental, obra de um bando de miúdos ranhosos que andavam a brincar com uma arma. E o Vincent, para não pôr os putos em trabalhos, mentiu, e disse que se tinha tentado suicidar. Como ele até se tinha internado (voluntariamente) para tratar a sua depressão, as pessoas aceitaram. Embora eu ache estranho, ninguém ter questionado porque é que alguém se tentaria suicidar com um tiro na barriga. Manias minhas, provavelmente.

Vejam este filme, eu prometo-vos, vão sentir-se pessoas mais completas depois de o fazerem. Sim, é um DESSES raros filmes.

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