The Wonder Of Wonder Woman

Finalmente consegui ver este filme!!!! Depois dos grandes filmes de super-heróis da Marvel, e das grandes desilusões que foram os filmes de super-heróis da DC Comics, veio a Mulher Maravilha para salvar o dia!!

Não me vou pôr a analisar o filme bocadinho a bocadinho, porque senão nunca mais daqui saíamos, mas há algumas coisas que quero apontar.

Primeiro, o quão inteligente e apropriado, relativamente à evolução da personagem principal, foi colocar o filme durante a 1ª Guerra Mundial – um conflito enorme, com milhões de vítimas, mas com nuances suficientes para continuar a ser interessantíssimo. Para já, está longe o suficiente da memória das pessoas para que não se corram riscos de ferir sensibilidades. E para além disso, ao contrário da 2ª Guerra Mundial, não havia um “vilão” na Guerra (na verdadeira, não no filme). A Diana começa por estar contra os Alemães, porque os Ingleses estavam contra os Alemães. Hoje em dia a história prova que os Alemães e os seus aliados não tinham razão, mas também que, no pós-guerra, os vencedores se embelezaram muito, como aliás costumam fazer. E este conflito está assim distante o suficiente para que o público possa ir aprendendo com Diana que, se calhar, ambos os lados do conflito estão errados, de alguma forma. Os altos oficiais Britânicos não aparentam ser melhores o que os Alemães, uma vez que não apresentam quaisquer reservas em enviar soldados numa missão suicida.

Segundo, a própria “origem” desta super-heroína. Ela não lutou nas trincheiras porque queria vingar alguém, apesar de ter perdido a sua tia; ela não o fez porque era o destino dela; ela não o fez porque era a sua responsabilidade; ela fê-lo porque queria ajudar pessoas inocentes. A Diana “limita-se” a lutar por aquilo que acredita ser certo e honroso. Numa época em que os super-heróis em geral continuam a ser definidos por tragédias pessoais, é refrescante ver uma heroína que o é, simplesmente porque é essa a sua essência, não são necessários motivos “adicionais”.

Terceiro, e relacionado com o ponto anterior, o tom desta personagem. Não me entendam mal, eu gosto das histórias obscuras, das tragédias. Acabam por humanizar personagens que, de outra forma, seriam basicamente Deuses, coisa que tornava difícil a nossa capacidade (e vontade) de nos identificarmos com eles. Ao vê-los sofrer, e ultrapassar esse sofrimento, é possível que alguém tenha esperança para ultrapassar os seus próprios problemas. Mas esse sofrimento tem que ser medido, porque começámos a cair no extremo – sofrem através de tudo e mais alguma coisa, e continuam as suas vidas, na boa, sem consequências nem mazelas. Isso não nos faz querer identificar com eles, tal como a Divindade também não o faz. Com todo o poder, mitologia, e misticismo que rodeia a Mulher Maravilha, ela consegue ser o super-herói mais humano que apareceu num filme durante muito tempo. Um exemplo para comparar? O Capitão América. Ambos juntaram-se a uma guerra porque acreditavam que era o maior contributo que podiam dar para acabar com ela; talvez o único contributo.

Criar um herói sem falhas, nem problemas nem tristezas é impossível; isso não é um herói, é uma chatice. Mas criar uma personagem que luta por aquilo que acredita, simplesmente porque acredita que isso é o máximo que pode fazer, que quer proteger aqueles que não se conseguem proteger, apenas porque é a coisa certa, independentemente da sua história de vida…isso sim, é um herói. Um super-herói. Alguém que leva esperança aqueles que o rodeiam. Acho que é algo realmente maravilhoso.

Para o caso do meu textinho não vos ter convencido a ver o filme, fica aqui um trailer:

P.S: A BANDA SONORA TAMBÉM É IMPECÁVEL!!!

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