Spotlight

*Baseado em factos verídicos*

AVISO: contém spoilers.

O filme inicia-se numa esquadra de Boston, com uma criança vítima de abusos sexuais por um padre. Ficando bastante claro, qual o tema do filme.

Entretanto, no The Boston Globe, os jornalistas despedem-se de um colega que vai entrar para a reforma e anseiam pela chegada do novo editor chefe – Marty Baron – e quais vão ser as suas primeiras medidas.

Marty propõe à equipa Spotlight investigar o assédio e abusos sexuais de padres a crianças. Após deliberação por parte de Walter Robinson (chefe da equipa), a equipa aceita e começa aos poucos a descobrir mais e mais casos de abusos, como se fosse uma bola de neve que cresce a uma escala assustadora. Recorrem a pesquisa bibliográfica de artigos de jornais, encontram-se com o criador de um grupo de apoio às vítimas de abuso, entrevistam algumas das vítimas, recorrem a advogados que lidaram com alguns dos casos, conseguem aceder a documentos que estavam selados… E descobrem alguns padrões: 1) os predadores sexuais (os padres abusadores) apenas abusavam de crianças cujas famílias estavam fragilizadas; 2) os padres abusadores mudavam de paróquia rapidamente (3 em 3 anos por exemplo); e 3) quando mudavam de paróquia ou estavam um espaço de tempo sem paróquia, onde uma das justificações mais usadas era ‘atestado médico’. Ou seja, a igreja em vez de resolver o ‘problema’, simplesmente os colocava em paróquias diferentes…

Após o 11 de Setembro, o The Boston Globe publicou o artigo a denunciar os abusos sexuais cometidos por padres a crianças. Receberam dezenas de telefonemas de pessoas que também haviam sido vítimas e posteriormente a este artigo publicaram mais de 600 outros.

No final do filme, surge uma lista de sítios no mundo onde também foram descobertos um grande número de abusos.

“They control everything”

Um filme em género de documentário, que explica como uma equipa de jornalista de investigação trabalha e demonstra também (um)a triste realidade do mundo. Não sejamos ingénuos, um predador sexual não tem tatuado na testa que o é, nem vai admitir que é um.

De ressaltar que toda a equipa é composta por personalidades distintas, que vemos interagir de forma muito harmoniosa. As reações deles, à medida que se apercebem da verdadeira dimensão daquilo com que estão a lidar, são todas diferentes entre si, e todas “humanas”, por assim dizer; pessoalmente conseguia ver-me a passar por todas elas.

Claro que uma história deste tipo vai sempre mexer com religião, mas gostei das nuances que lhe adicionaram: não era algo falsamente moralista do género “toda a religião é má”, mas denunciava um verdadeiro problema que existe (para além dos abusos de crianças) no seio das religiões em geral, e da Igreja Católica em particular: o abuso do poder. A sensação de invulnerabilidade. A crença de que podemos dar-nos ao luxo de virar as costas e ignorar um problema, porque somos tão poderosos que ninguém nos pode tocar. E acima disso tudo, prova que essa mentalidade está errada.

Não quero deixar de mencionar uma coisa um bocado parva, mas na qual eu gosto sempre de reparar: uma das personagens, Mike Rezendes (representado no grande ecrã por Mark Ruffalo – um dos meus atores favoritos), é Português. Gosto de ver portugueses no cinema, processem-me.

Deixamos-vos aqui o trailer,

Helena e Inês

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