Mulher

O Mundo só se lembra que existe um problema social ou acontecimento histórico, quando o assinala no calendário. Como se tivesse de escrever na sua agenda, como nós fazemos quando não nos queremos esquecer da consulta da semana que vem no dentista.

O Dia 8 de Março foi o dia assinalado como Dia Internacional da Mulher. A ideia formou-se no século XIX, mas apenas se passou a comemorar o Dia da Mulher no século seguinte. Lembrando assim todas as lutas que as mulheres tiveram de travar, estando entre elas a luta pelo direito a votar, pelo direito a ter um emprego (trabalho é diferente de emprego, como dizia um professor meu “há sempre trabalho, mas nem sempre emprego”)… porém a luta ainda persiste. Nos países (considerados) desenvolvidos ainda se luta contra os conceitos pré definidos do que é “ser mulher”, a luta contra os salários desiguais na mesma actividade laboral, a luta por andar na rua de noite ou de dia sem medo de ser violentada, por exemplo; enquanto nos países em desenvolvimento ainda agora se começou a lutar por coisas tão básicas como o direito a ter educação, a votar…!

Embora exista um paradoxo, entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento (uma vez que associamos “as maiores ofensas aos direitos humanos” a estes devido à informação que os media nos fazem chegar), alguns países em desenvolvimento chegam a ter uma maior proporção de mulheres, por exemplo, no parlamento ou na profissão médica.

E sim, quem começou, fez e continua a fazer parte da luta contra as desigualdades de género foram e são… feministas! Temos pena (nenhuma) se acham a palavra ou denominação ofensiva. Pois ser feminista é defender a igualdade entre todos: sim, todos! Independentemente do sexo, género, fé ou cor. Acabar com as desigualdades e com os conceitos pré definidos do que “é uma mulher” e do que “é um homem”.

Para quem pensa que já conquistamos tudo e que todos temos os direitos assegurados, desenganem-se, ainda há muito trabalho para fazer. Pois a falta de igualdade de direitos e/ou direitos humanos, nem que seja apenas a uma pessoa, é uma afronta a todos.

“Os direitos das mulheres são direitos humanos. Mas nestes tempos difíceis, à medida que o nosso mundo se torna mais imprevisível e caótico, os direitos das mulheres e das raparigas estão a ser reduzidos, restringidos e invertidos. Dar poder às mulheres e meninas é a única maneira de proteger os seus direitos e garantir que elas realizem todo o seu potencial.”

 António Guterres (Secretário-Geral das Nações Unidas) (Fonte: aqui.)

Não precisamos de um dia específico para nos lembrar quem fomos, quem somos e quem vamos ser; das gerações de mulheres corajosas que lutaram para que pudéssemos chegar onde estamos, da nossa geração que poderá lutar para que todos os direitos e igualdades nos cheguem e cheguem à próxima geração.

Não preciso de um dia para lembrar que sou mulher.

(E à semelhança dos Dias do Pai ou da Mãe, ninguém deveria precisar de um dia Nacional ou Internacional para se lembrar que alguém existe e merece respeito.)

Os melhores cumprimentos de Helena e Inês.

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“Cada vez que uma mulher se defende a si própria, sem saber, está a defender todas as mulheres.” – Maya Angelou

 

Créditos: Fotografia em destaque de Aleksandr Munaev (no Flickr).

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