Últimos Ritos

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Em “Últimos Ritos”, Hannah Kent mergulha-nos de forma lírica na Islândia de 1829 , tornando-nos confidentes de Agnes (a última pessoa a ser executada por pena de morte neste país). Esta foi acusada do brutal assassínio do seu anterior amo e aguarda a sua hora final numa quinta isolada.

Enquanto Agnes espera pelo seu último suspiro, a família que a irá receber está apavorada com a ideia de vir a albergar uma assassina na sua casa. Apenas Tóti (o padre designado para acompanhar Agnes nos últimos dias de sua vida) a tenta compreender. Porém, aquando da aproximação da data de morte de Agnes a família que a teme e menospreza, já não a olha da mesma forma… ” “Últimos Ritos evoca uma existência dramática num tempo e espaço distantes, dirigindo-nos a enigmática pergunta: como pode uma mulher suportar a mágoa e a injustiça quando a sua vida depende das histórias contadas pelos outros?”

 

“Eles disseram que tenho de morrer. Que roubei o sopro da vida aos homens e eles agora têm de roubar o meu. Imagino, então, que somos todos chamas de velas, agitando na escuridão e no uivo do vento o nosso brilho oleoso, e na quietude do quarto ouço passos, passos horríveis que chegam, que vêm para me apagar com um sopro e afastar a minha vida de mim, numa espiral de fumo cinzento. Desvanecer-me-ei no ar e na noite.”

 

Nunca devemos esquecer que os nossos julgamentos sobre os outros, conhecendo-os ou não, podem influenciar a sua vida. Tal como os julgamentos de outros têm influencia na nossa. As histórias que saem das bocas de terceiros não ditam como somos, embora possam dizer o que fazemos.

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