Para ver no #Halloween

O ano passado deixei a tarefa de publicar recomendações de séries ou filmes para a Inês, sim, eu disse “Inês estás encarregue da publicação do Dia das Bruxas”… bem e acho que ela não desgostou da tarefa. Porém, este ano sou eu quem decidiu fazer a publicação deste ano, espero que vocês não desgostem… Até porque tive uma overdose de filmes/séries de terror. Alguns dos filmes/séries mais ou menos recentes e outros que eu simplesmente não me canso de rever.

Ora, bem, para quem não sabe (eu incluída) o primeiro filme de terror foi realmente uma curta de poucos minutos chamado “Le Manoir du diable” – A Mansão do Diabo – de 1896 pelo Georges Méliès; em 1910 passou da literatura para o cinema o grande “Frankenstein”, também ele com apenas alguns minutos! E depois, muitos mais surgiram, uns filmes mais assustadores do que outros (em todos os sentidos possíveis); muitos remakes de clássicos (super-hiper-mega clássicos), como por exemplo, o “Conde Drácula” já foram feitos.

Um agradecimento especial para a Maria João, que me deu o trabalho de casa de ir procurar estas coisas, quando na verdade apenas lhe pedi sugestões de filmes.

The Lizzie Borden Chronicles – As Crónicas de Lizzie Borden

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Estamos em Fall River, Massachusetts no ano de 1893 e faz 4 meses que Lizzie Borden foi dada como inocente no julgamento pela morte do seu pai e madrasta. Inocente ou não, a acusação e principalmente o julgamento manchou o nome da família Borden e criou na comunidade um certo desconforto na presença da senhorita Lizzie Borden (ela ama estar no spotlight).

Após a morte dos pais, as irmãs Borden ficaram atoladas em dívidas, pois tal como hoje (pelo menos que eu saiba em Portugal) o pessoal herda a dívida dos pais (que é uma coisa fixe de se herdar). E porque é que eu dou esta informação, assim, sem nexo nenhum? Porque é o ponto de partida para todo o massacre que se sucede.

Christina Ricci, interpreta a personagem principal – Lizzie Borden –  e, fá-lo de uma forma extraordinária, o que significa que é impossível (pelo menos no início) não ficarmos cativados pela suposta má da fita. Lizzie é corajosa, destemida, orgulhosa e não se deixa intimidar por ninguém nem com qualquer situação, é uma excelente manipuladora, uma pura psicopáta e sociopata que faz o que tem de fazer para atingir os seus objetivos. Tenham na memória que ela foi julgada pelo homicídio dos seus pais e o tribunal considerou-a inocente de tudo apesar de TODAS as provas gritarem que ela é a culpada.

Ao contrário da sua irmã, Emma (sendo a mais velha) é calma, emotiva, sensível, conservadora, simpática, atenciosa, prestável e ingénua. É ela quem contrata o investigador/caçador de criminosos que chega a cidade, para restaurar a honra do nome Borden. Porém e para surpresa de Emma (dah, Emma, sua tola), este investigador suspeita de todos os homicídios recentes que acontecem na cidade são da autoria de Lizzie e é bastante mais inteligente que os policias, pois não se deixa levar pela aparente delicadeza de Lizzie (Christina Ricci é perfeita para a personagem) pois é uma mulher pequena, bem educada e demonstra gentileza. O que seria normal naquela época para as senhoras.

Perdi a conta às personagens que perdem a vida nesta série e fiquei maravilhada pela forma com a calma e calculismo que Lizzie comete os seus crimes, como se fosse algo extremamente normal.

O detalhe demonstrado ao pormenor na série é incrível, em especial todo o vestuário.

Uma última informação, esta série foi baseada numa história verídica, façam o favor de pesquisar. Não acredito, no entanto que o número de homicídios seja tão alto como na série.

Creeped Out

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Outra série.

Diz a lenda que “O Curioso” colecciona contos, e que quando se ouve o seu assobio algo de arrepiante vai acontecer. Pressente quando um conto vai acontecer, ele é atraido por eles. Cada episódio conta um conto diferente.

Para pré-adolescentes?! Diria que os “Arrepios” que eu via quando ainda nem sequer estava na pré-adolescência e davam na televisão durante a tarde são bastante assustadores comparados com esta série (até porque o Chukie está lá num dos episódios). Mas o Halloween não é só feito de filmes ou séries que nos deixam agoniados e com macaquinhos no sótão… o Halloween também é para algo… suave.

 

The Witch

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E claro está. que não poderia faltar um filme sobre bruxas, correto? A história d”A Bruxa” decorre na denominada Nova Inglaterra (fica nos EUA – para quem não se lembra os EUA foram uma colónia de Inglaterra) em 1630 e conta-nos a história de uma família extremamente cristã que foi isolada (vá expulsa) da comunidade onde estava integrada. Assim, a família viu-se obrigada a construir a sua casa longe de qualquer vila ou alguém e junto à floresta.

A família aumenta com o nascimento de mais crianças e a vida decorre normalmente. Bem, decorre normalmente, até o mais pequeno desaparecer mesmo em frente da vista da irmã mais velha Thomasin. Ninguém é capaz de explicar este acontecimento, nem mesmo a pobre Thomasin, que agora sofre com o rancor que a sua mãe lhe guarda pelo desaparecimento do bebé. Este acontecimento é o gatilho para o desenrolar de uma história de histerismo religioso ao ponto de a família se virar contra Thomasin e a acusar de ser uma bruxa. Só que a bruxa não é a coitada como poderão imaginar, uma vez que a família vive às portas de uma floresta.

As coisas ficam tãããooo más que a única que sobrevive *spoilers* é a acusada de bruxaria! E mais não digo, porque o filme não se fica por ai… hehehe.

Não é um filme onde a acção se desenrole da maneira “normal” (ou seja, depressa), pode-se dizer até, que a história decorre à mesma velocidade dos filmes clássicos. Leva tempo, para acontecer. É para apreciar. Dou de igual forma os meus parabéns aos pormenores de época que dão ao filme outra qualidade.

MA

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Como eu andava mortinha por ver este filme! Devem saber como adoro a atriz Octavia Spencer!

Se estão à espera de ver sangue a jorrar por todos os lados esquecem… vejam antes o remake do filme “A Mansão do Diabo” com o queridissimo Ryan Reynolds *suspiros*. Este tipo de filme é denominado filme de terror psicológico.

“Ma” é a alcunha que os jovens que começaram a fazer festas na cave de Sue Ann lhe dão. É ela quem fornece as bebidas alcoólicas, o espaço e os snacks aos jovens cuja idade é inferior àquela permitida para poderem beber bebidas alcoólicas. Tudo isto, apenas porque Sue, refere que se  preocupa com os jovens e não quer que estes bebam em sítios onde lhes pode acontecer alguma coisa ou porque podem ir conduzir embriagados. A mim isto tudo parece-me muito estranho: uma desconhecida, que compra bebidas alcoólicas e disponibiliza o espaço na sua casa para uma festa. Yah, definitivamente, nada estranho. A mim, a minha mãe ensinou-me a não aceitar nada de estranhos…

Os jovens só começam a questionar o real motivo para toda a simpatia de Sue Ann quando esta começa a ser demasiado insistente quando eles não podem ir às festas durante a semana. E acreditem em mim, ela torna-se mesmo chata!

A real motivação de Sue Ann, não são os miúdos, mas sim os pais dos mesmos. Ela fez os ensino secundário com os pais dos adolescentes e pode-se afirmar que as coisas não correram bem naquela época. O que Sue Ann procura é vingança… e para a alcançar, aproximou-se dos filhos daqueles que a humilharam no passado.

Só para informar: há uma cena capaz de arrepiar qualquer ser humano do sexo masculino.

Hocus Pocus

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“Hocus Pocus” é um filme da colheita de 1993, que só esta semana vi. Shame on me!!

Max Dennison é um céptico em relação a tudo a que envolva o Halloween, inclusive às suas lendas, mas este mudou-se nada mais nada menos que para Salem. Espero que vocês saibam o que Salem significa, porque eu não vou explicar.

O seu cepticismo dissipa-se quando ele, a sua pequena irmã Dani e a rapariga que ele gosta Allison (porque é que se chamam sempre Allison?) vão visitar (no dia de Halloween claro está) a casa museu das Irmãs Bruxas mais famosas de Salem: Sarah Sanderson, Winifred Sanderson e Mary Sanderson.

Conta-se que as Irmãs Sanderson, segundos antes de serem mortas por enforcamento pelos aldeões pelo crime de bruxaria, lançaram um feitiço que na noite de Halloween, caso a vela da chama negra da sua casa fosse acesa por alguém virgem elas iriam voltar para poderem lançar o seu feitiço de vida eterna. Podem adivinhar o que Max fez. Pois.

Agora os três têm de impedir que as Bruxas completem o feitiço e têm a noite toda, até ao amanhecer para o fazer. Parece pouco tempo, mas se para vocês correr na passadeira durante 15 minutos parece muito imaginem a noite toda!

Tenham atenção que é um filme da Disney!

 

The Nightmare before Christmas

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Este filme não é de 1993 mas sim de 94… desperdício de um ano 😉

Jack Skellington, O Rei das Abóboras, cansou-se da rotina do Halloween e num dos seus passeios por fora da cidade, passa por acaso pelo portal do Natal e vê a alegria que este leva às pessoas. Decide que será uma boa ideia (só que não) trazer o espírito de Natal ao Halloween, ou será ao contrário? O problema é que Jack não compreendeu, inteiramente, qual o espírito de Natal.

Hoje em dia eu diria que é o espírito consumista, capitalista… o que quiserem chamar.

O resultado acaba por não ser muito bom, entre raptar o Pai Natal e adaptarem o Natal à moda Halloween, bem podem imaginar as surpresas que os humanos têm debaixo das suas árvores de Natal. Sally (a namorada de Jack) é a única que se opõe à ideia maluca do namorado e igualmente a única que tem razão no meio desta confusão que Jack criou.

O facto é que o Halloween trás consigo um estado espírito às pessoas diferente daquele que o Natal trás. O Halloween não é inteiramente a representação do medo em relação aos nossos próprios medos ou de algo que não existe (em tipo 99,9% das vezes). No México é o Dia de Los Muertos (Dia dos Mortos – Dia dos Fieis Defuntos aqui em Portugal) é uma comemoração feliz (já aqui publicamos o filme Coco) de homenagem aos seus entes queridos que já faleceram – é um tipo de festejo diferente do Halloween.

Em qualquer caso, existem pessoas que gostam tanto do Halloween como do Natal, outras que não gostam do Halloween e são perdidas pelo Natal e por último (tipo eu) que não gostam do Natal e adoram o Halloween!

Silence Of The Lambs

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Não poderia deixar de parte um dos meu filmes preferidos! E sobre este filme deixo-vos somente isto:

Hannibal Lecter

 

 

Midsommar – O Ritual

Um filme de Ari Aster, o mesmo realizador do Hereditary, que pelos vistos tem uma preferência por cultos.

Ao contrário de muitas pessoas, não gostei do Hereditary; acho que o drama foi excelente, e que o terror, quando apareceu, também foi excelente. Mas não acho que se tenham conjugado bem, e o filme acabou por passar uma sensação de ser…desconjuntado, nem era um drama completo, nem um filme de terror completo.

Mesmo assim, estava muito curiosa por ver o Midsommar, até porque queria avaliar se tinha havido progresso ou não. E acho que houve. Um muito positivo.

Vou tentar não contar tudo, mas o final do filme é algo estranho, pelo que sinto necessidade de falar sobre ele. Não se preocupem, eu aviso quando chegar a essa parte. Assim podem ir ver o filme, e depois voltar para ler o resto.

Midsommar começa com Dani, a tentar ligar aos pais e a seguir ao namorado, Christian, por estar preocupada com a sua irmã. Christian prova não ser grande ajuda, ao nem tentar empatizar com a preocupação de Dani, atribuindo o comportamento da sua irmã a mais uma tentativa de chamar a atenção. Logo de seguida percebemos porquê: Christian já não quer estar numa relação com Dani, mas não tem a espinha para tomar uma decisão acerca disso, nem sobre nada que seja importante na sua vida, tal como a sua tese, como o seu amigo Josh lhe aponta.

Vemos aqui um traço importante: nenhuma personagem é boa. Quero dizer, todas as personagens têm falhas de caráter que se irão revelar essenciais para os seus desfechos no filme. O que por sua vez implica que as personagens que o filme quer que consideremos repreensíveis – nomeadamente o Christian e o seu amigo Mark – sejam extremamente irritantes. Ou se calhar sou eu que os vejo assim por antipatizar com eles assim que apareceram.

Voltando à história, Christian atende o telefone a Dani, que grita, chora e geme como um animal ferido (a atriz é excelente, Nossa Senhora, fiquei FÃ!): os pais foram mortos pela irmã, que se suicidou; a mensagem que tinha enviado era uma despedida. Se Dani já tinha problemas ao nível do equilíbrio emocional, ao perder toda a família de uma só vez, às mãos da própria irmã, ainda por cima, descompensou totalmente. Meses depois, ainda com Christian, Dani ainda está a tentar recuperar, e num esforço para passar mais tempo com pessoas vai com Christian encontrar-se com os amigos deste. É aqui que descobre a viagem que estavam a planear à Suécia, uma vez que Christian nunca confirmou a Dani que iria efetivamente, provavelmente por acreditar que já se teria livrado dela quando chegasse a altura de viajar. Sentindo-se culpado, convida Dani a juntar-se ao grupo, convencido de que ela vai recusar, mas ela aceita.

O resto do filme decorre em Hårga, uma localidade rural isolada na Suécia, onde a comuna/culto onde o amigo de Christian, Pelle, foi educado realiza um festival para honrar o solstício de verão. Se inicialmente a estranheza parece ser devida a diferenças culturais, o ambiente torna-se gradualmente desconfortável, até atingir proporções verdadeiramente sinistras e horripilantes quando tem lugar a ättestupa, uma celebração em particular. De acordo com as tradições locais, não é suposto que as pessoas vivam para além dos 72 anos. Assim sendo, quando atingem esta idade os idosos basicamente suicidam-se. E se a morte em si podia ser relativizada como uma coisa cultural, a forma como decorre não pode. E não estou só a falar da perspetiva das personagens, se eu consigo compreender a ideia, o modo como é aplicado é simplesmente bárbaro e desumano, e é muito fácil errá-lo, fazendo com que a desculpa de “é melhor assim porque se evita sofrimento desnecessário” caia por terra.

É a partir daqui que o terror se manifesta verdadeiramente, com um sentimento de apreensão e paranóia constantes.

E agora, deixando de fora o que acontece depois da cerimónia acima mencionada, vou falar do final, e do porquê de eu o considerar agridoce. Spoilers ahead.

Se por um lado o culto ganhou, com os sacrifícios e com a conversão da Dani, por outro lado acho que ela fica melhor entregue ao culto do que às pessoas com quem estava.

Antes, mesmo com os pais vivos, Dani tinha problemas emocionais, e não tinha apoio para eles – o namorado não ajudava em nada, e a única amiga que ela parecia ter, nunca mais apareceu depois da morte da família; ela estava completamente sozinha. A Dani tinha claramente uma tendência para acumular os sentimentos, para se recusar a sentir seja o que for. Ela finge. E isso só a prejudica. Por exemplo, só ouvir alguém a dizer aleatoriamente a palavra “família” é o suficiente para a fazer ter um ataque de pânico. Mesmo com o trauma e o luto, tendo em conta que ela (supostamente, é só uma coisa que é mencionada) fazia terapia, ela devia conseguir lidar melhor com isto. Gatilhos existem e são extremamente sérios, mas quando se tratam de palavras comuns – como “família” – é suposto que as pessoas procurem formas de lidar com eles, tendo em conta que evitá-los completamente não é opção.

Com o culto, por mais estranho que seja o hábito deles de “sentirem” com os outros – quando alguém se magoa, por exemplo, toda a gente grita de dor – acho que a Dani precisava de algo do género. A cena perto do final, onde ela foge para chorar sozinha, ela tenta não gritar, não fazer barulho, empurrar os sentimentos todos para longe, tal como sempre fez. Mas a mulheres com quem ela estava não a deixam fazer isso. Começam a chorar e a gritar juntamente com ela, seguem os movimentos e espasmos do seu corpo, imitam a sua respiração. E é só através disto que eu acho que ela sente finalmente algum alívio. Foi preciso uma sessão de grupo de gritos primitivos para que ela se permitisse sentir alguma coisa.

Isto, juntamente com a hospitalidade e simpatia do culto, que muitas vezes é genuína, tendo em conta que a Dani não os desrespeita, é o suficiente para a fazer sentir aceite e, ironicamente, segura; em casa. É por isto que ela sorri no final do filme. Porque ela se sente em casa. Porque ela se permitiu finalmente sentir coisas negativas, e a vingança é parte disso (ainda que eu ache que drogarem e violarem o Christian foi castigo suficiente, mas eu não o aturei como ela o aturou, nem tinha o estômago cheio de drogas biológicas).

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Parte do guião do filme: “Ela rendeu-se a uma alegria que só é conhecida pelos loucos. Ela perdeu-se completamente, e é finalmente livre. É horrível e é belo.”

 

Porque ela sente que pertence ali. No entanto, o sítio onde ela sente que pertence é um culto homicida. Como eu disse. Agridoce.

 

Por hoje é tudo pessoal, se já viram o filme digam o que acharam! Beijinhos e até à próxima!

Animes de Outubro

Para continuar com a tradição estabelecida no ano passado, vou voltar a fazer recomendações de entretenimento que têm um sabor especial nesta altura do ano.

Desta vez vou fazer uma estreia no blogue: vou falar de animes, ou desenhos-animados japoneses. Uma das coisas que eu gosto nos animes é que, ao contrário da animação mais ocidental, os animes contam histórias de todos os géneros, desde aventuras do dia-a-dia, aventuras, fantasia, ação, drama, e sim, até thriller e terror. Adivinhem sobre qual categoria vou falar.

Tenho dois tipos de recomendações – uma série, e um filme.

 

A série chama-se Monster, e tem 62 episódios.

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Monster conta a história do Dr. Tenma, um brilhante cirurgião cerebral japonês a trabalhar num hospital alemão. Quando a história começa, Tenma tem tudo encaminhado: um trabalho que adora e onde para além de ser bem-sucedido vê esse sucesso reconhecido; namora com a filha do diretor do hospital e está a planear casar com ela; e é um dos primeiros na linha de sucessão para diretor do hospital.

Mas tudo desaba numa só noite.

Chegam ao hospital duas urgências, ambas a exigir cirurgias complexas: uma dessas urgências é o presidente da cidade, e a outra é um menino, com um ferimento de bala na cabeça.

Tenma quer imediatamente operar a criança, que chegou primeiro, mas o Diretor Heinemann  ordena-o que opere o presidente, por ser a pessoa de estatuto mais importante, logo, a seu ver, o caso mais urgente. Inicialmente pressionado, Tenma recusa-se a obedecer, e vai operar o menino.

Tenma acaba, contra todas as hipóteses, por salvar a vida da criança, mas o presidente não resistiu, e Tenma é culpado pelo seu falecimento, sendo sumariamente despedido. Como se não bastasse, quando procura a namorada para ter algum consolo, ela dá-lhe com os pés, como se só se tivessem conhecido há dois dias.

A criança foge do hospital, e tanto o Diretor Heinemann como os restantes médicos que o apoiaram no despedimento de Tenma morrem misteriosamente, o que faz com o despedimento fique sem efeito. A polícia suspeita de Tenma, mas não tem provas.

9 anos mais tarde Tenma é diretor do hospital. E descobre que a criança que salvou naquela noite fatídica se tornou num assassino em série. Tenma assume então a responsabilidade de localizar Johan e corrigir o erro que cometeu ao salvar-lhe a vida. Só que Johan encara isto como um jogo, deixando-lhe pistas propositadamente, como se de um rasto de migalhas se tratassem, garantindo que Tenma fica a conhecer intimamente todos os crimes que Johan cometeu, graças a ele, a única pessoa que ele afirma não ser capaz de matar: o homem que o salvou.

A progressão da história é um bocadinho lenta, não vou mentir, há partes que podiam ter sido resolvidas num único episódio em vez de dois. Mas apesar de por vezes ser lento, o ritmo da história é tão consistente que acaba por ser atmosférico. É muito fácil preocuparmo-nos com as personagens, e temos a plena noção de que eles estão constantemente em perigo.

Monster é um policial que quase não tem polícias, uma história tensa, que nos deixa sempre com um ligeiro friozinho no estômago. É mesmo, mesmo, muito bom.

Perfect Blue

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Perfect Blue é a história de Mima, uma jovem cantora pop que decide mudar de carreira e tentar ser atriz. Seguimos tanto a sua vida profissional como a sua vida pessoal, e as mudanças que ocorrem em ambos os contextos. Com Mima disposta a tudo para se provar como uma atriz séria, e não como só uma boneca que cantava, a sua saúde mental começa a deteriorar-se, e tanto Mima como a audiência começam a questionar o que é ou não real.

Uma coisa que eu adoro é, sem dar muitos spoilers, o facto do filme nunca colocar a culpa na Mima. Sim, ela faz escolhas que nos parecem erradas, não pela sua natureza, mas porque sabemos que ela não quer verdadeiramente seguir em frente com elas, que se está a obrigar a fazê-lo, e que está a sofrer com isso.

Está patente no filme uma crítica social fortíssima, ao modo como a sociedade explora os artistas, uma crítica à busca constante de sangue fresco. Também existe uma crítica a um aspeto muito típico da cultura japonesa e da sua relação com grupos pop – o sentimento de que a imagem é tudo. Isto é, o sentimento de que os artistas pop, sobretudo os grupos femininos, têm que construir bonecos, que estão sempre felizes, e satisfeitos, e bonzinhos, e afáveis, e adoráveis, e fundamentalmente inocentes. E é este culto da pseudo-inocência que é, a meu ver, o mais criticado pelo filme. Porque é completamente hipócrita.

Enquanto estrela pop, a Mima é adorada por ser bonita e fofinha e inocente, e a sua partida da banda até não foi mal recebida pelos fãs (pelo menos pela maioria deles), que procuram apoiá-la no seu novo caminho. Mas ao mesmo tempo ela é constantemente rebaixada por ser uma estrela pop, que é certamente burra e infantil e não sabe fazer nada sem ser bonita – tudo coisas que lhe eram exigidas, atenção. E é por ter noção de que ninguém a leva a sério que a Mima se sujeita às coisas a que se sujeita. E depois disso, toda a gente, tanto os fãs como os que não tinham fé nela, teve um prazer sádico em vê-la a fazer tudo para se separar da imagem da estrela pop. Ninguém se preocupou com ela, só queriam ver o que é que ela ia fazer a seguir.

Por mais que eu adore o filme, sinto que devo avisar que há cenas…epá muito desconfortáveis. Spoilers, mas vão perceber porquê: há uma cena de violação. Literalmente uma cena, a personagem da Mima é uma stripper que acaba por ser violada. Uma parte do desconforto inicial vem do choque entre a cena a ser interpretada e as interrupções de filmagem, que nos relembram constantemente de que aquilo não é real. O ator que contracena com a Mima até lhe pede desculpa. Mas rapidamente as interrupções acabam, e vemos a cena. E o desconforto não se limita a vir do que está a ser representado na cena em si; vem também da maneira como a cena está a ser filmada. Vemos close-ups de várias câmaras, e a cena é filmada como se fosse uma cena de sexo. É filmada como se fosse suposto ser sensual, e não horrível. E pode ler-se aqui uma outra crítica, desta feita, à violência gratuita, que está no centro de muitas formas de entretenimento, e sobretudo uma crítica à forma como essa violência é representada.

Também há partes do filme intencionalmente confusas, que permitem manter o mistério até ao final do filme, por isso é que não falei delas – não quero estragar a experiência. Para além da recomendação, deixo-vos também com dois vídeos que analisam a maioria daquilo que não mencionei. E se continuarem com dúvidas, a internet resolve. Há algumas teorias contraditórias, mas é fácil escolher aquela que vos parecer a mais correta.

 

Por hoje é tudo pessoal! Se já viram algum dos animes digam o que acharam! Se ficaram curiosos, depois de verem digam o que acharam!

Beijos e até à próxima!

 

Stranger Things: Spoilers, Teorias e Opiniões

 

Sim, tecnicamente estou atrasada para a festa, mas a primeira temporada estreou em outubro (acho eu…), portanto, vamos fazer de conta que é por isso que só estou a falar disto agora.

Apesar de ter gostado da segunda temporada, esta terceira temporada foi claramente superior, apesar de cair nalguns clichés de que eu não gosto, mas já lá chego. Nesta temporada introduziram personagens novas, mas foram poucas e muito bem desenvolvidas, o que fez com que nos importássemos com elas e com o seu bem-estar. A Robin é uma personagem fantástica, e o Alexei é perfeito. Como tal, é claro que pelo menos um deles tinha que morrer, para continuar com a tradição da série de me fazer chorar pelo menos uma vez, e de eliminar uma das melhores personagens. Sim, estou frustrada, obrigada por repararem. E infelizmente a minha frustração não se fica por aqui.

Eu sei, eu sei, aquilo que capturou todos os fãs foi a lealdade a todas as homenagens e clichés dos filmes dos anos 80, incluindo partes na primeira temporada que me fizeram pensar que o Ridley Scott ia processar alguém. Mas acho que nesta temporada os criadores se encostaram demasiado a esses clichés. Ao contrário das temporadas anteriores, onde os clichés estavam patentes na direção do enredo, e nos desafios que as personagens enfrentavam, nesta temporada os clichés manifestaram-se nas personagens, e isso fez-me muita impressão, sobretudo com a personagem do Hopper.

Uma das coisas que eu mais adorava no Hopper era precisamente o facto dele não ser um cliché. Sim, encaixava-se no molde dum protagonista de um filme de ação dos anos 80, com a tragédia familiar, o gosto pela bebida e a tendência para falar com os punhos quando está sob pressão. Mas em termos psicológicos, aliás, em termos emocionais, o Hopper mostrou ser uma pessoa extremamente equilibrada. Por mais motivos que ele tivesse para duvidar da Joyce ao início, ele acabou por perceber, e mais do que isso, respeitar as opiniões e os instintos dela. E por mais difícil que fosse criar a 11, como é que o Hopper regrediu de falar abertamente com ela e respeitar a sua autonomia, desde que ela tivesse cuidado e não lhe escondesse as coisas, na segunda temporada, para uma caricatura dum pai demasiado protetor da filha, que ameaça o namorado dela e não consegue perceber o conceito de partilha de sentimentos? E a insistência dele com a Joyce? Quando ela lhe diz que não, diretamente, e ele acha que isso significa outra coisa, e depois se zanga com ela porque ele interpretou tudo mal?? E é claro que a Joyce gosta dele na mesma, apesar de ele ter feito de tudo para deixar de merecer a consideração dela.

Nah, não gosto disso.

Se calhar é por causa da minha frustração com esta personagem que, vou dizê-lo, não me importava que ele tivesse realmente morrido nesta temporada. Aliás, não me importava que isto fosse o final da série. Era um final em aberto, onde podíamos ter esperança e imaginar as próximas aventuras das personagens, e dar-lhes finais felizes. Mesmo com a cena do final na Rússia (já falo mais sobre isso), eu podia imaginar que acontecia um desastre tipo Chernobyl, e que aquela malta ficava toda soterrada, Demogorgon e tudo. Mas não, parece que já temos uma quarta temporada comprovada. Eu percebo, ainda há pontas soltas, inclusive de outras temporadas, mas não seria o que eu considero um mau final.

Tirando o Hopper, adorei a progressão das personagens. O Steve continuou a ser uma mãe solteira de múltiplas crianças, mas permitiu-se fazer amigos mais próximos da sua idade outra vez, com a Robin, uma personagem que podia ser irritante de tão conveniente, mas da qual é mesmo muito fácil gostar.

A Nancy continuou a afirmar-se e a enfrentar quem estava errado, porque ela sabia que tinha razão, e até voltou a aproximar-se da sua mãe. Acho que a Nancy é a personagem mais consistente ao longo das três temporadas, foi gradualmente perdendo o medo de se impor, e quando confrontada com um ambiente que lhe exigia que ela voltasse a encolher-se, ela recusou. Só tenho pena que não tenham explorado mais os pais das personagens, sobretudo a mãe da Nancy e do Mike, acho que ela iria encontrar forças para apoiar os filhos nas suas maluquices perigosas (mesmo que passasse o tempo todo a dar-lhes sermões).

O Johnathan…foi mais chato nesta temporada, mais céptico, mas por uma boa razão. A mãe está sozinha outra vez, ele não tinha dinheiro para ir para a faculdade, conseguiu um emprego de que gosta; e a Nancy tenta arrastá-lo de volta para circunstâncias que, apesar de os terem juntado, o lembram de momentos horríveis, sobretudo porque envolveram o irmão dele. O Jonathan tem algo que se assemelha com segurança pela primeira vez em muito tempo, eu percebo que ele não queira perder isso.

O Will esteve perfeito, tendo em conta aquilo por que ele passou nas temporadas anteriores. O Will ficou traumatizado, física e psicologicamente, várias vezes seguidas; é claro que ele quer recuperar o tempo perdido. Portanto, em comparação com o resto dos seus amigos, é claro que o Will é mais “infantil” – qualquer mudança ao modo como as coisas eram significa coisas más, significa mais isolamento, que por sua vez significa mais traumas e coisas horríveis para ele. O Will quer sentir-se seguro. Mas teve que aprender que a ausência de mudanças não é o mesmo que a ausência de problemas.

 A Max continuou a ser fantástica. A impulsividade dela vinha sempre duma preocupação com os outros, especialmente com a 11, e em função disso nem é irritante, nem tem consequências tão graves como teria doutra forma. A relação dela com o Lucas enervava-me um bocadinho, mas isso pode dever-se a quantos casais como eles eu conheço, e ao quanto a dinâmica do “casa/descasa” me irrita. E temos ainda a questão do Billy. O Billy cuja cabeça ela ameaçou rebentar se ele não parasse na última temporada. O Billy que a ameaçava constantemente. O Billy que teve a “redenção” mais rasca que eu vi em muito tempo. “Ah e tal, é porque a mãe morreu e o pai era mau para ele”. Que o pai do Billy era uma das poucas personagens piores do que ele nós já sabíamos? Não percebo qual foi a necessidade disto. E embora perceba a preocupação da Max – ela sabe como é que o pai dele é, afinal de contas – não percebo a intensidade dessa preocupação. Pelo menos não ao ponto do Mindflayer a conseguir enganar ao ponto de a fazer sentir pena dele. Apesar de tudo, o facto de ser possuído pelo Mindflayer ser a única coisa capaz de tirar a sociopatia do Billy à chapada foi uma coisa que eu adorei. Não, não tenho pena nenhuma dele. Apesar de gostar muito do ator.

A relação entre o Mike e a 11…honestamente, é a progressão natural destes dois. A 11 pode finalmente viver sem preocupações, finalmente pode estar com Mike, e é claro que não quer fazer nada sem ser isso. O Mike é basicamente o mundo dela. Ela nunca se relacionou muito com o resto do grupo, por isso é claro que se colou ao Mike. E é claro que, mais tarde ou mais cedo, isso ia acabar mal. A 11 teve que aprender que existe vida para além do namorado, e a Max foi a melhor maneira dela descobrir isso.

Quanto ao Mike…também percebo o ponto de vista dele. Ele achou que tinha perdido a 11, mesmo que se tentasse convencer todos os dias que isso não aconteceu; é claro que ele não a queria perder outra vez, é claro que ele ia ficar demasiado protetor dela, independentemente de quantas vezes ela o salvou a ele (e provavelmente o resto do mundo).

 

Sim, ainda não ultrapassei o que aconteceu ao Bob.

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RIP Bob.

 

E agora: vamos às teorias!

  1. Como é que os Russos descobriram o Upside Down?

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Eu acho que há dois fatores em jogo: primeiro, o enredo clássico dos EUA contra a Rússia, e espionagem e etc. Segundo, o Americano prisioneiro dos Russos no final do episódio. Há pessoas que pensam que o Americano é o Hopper. Sim, nós convenientemente não vimos o Hopper ser desintegrado, e é possível (aliás, extremamente provável) que ele tenha saltado da ponte e sobrevivido. MAS! Não me parece que o Americano seja o Hopper.

Eu acho que o Americano é o Dr. Brenner, o “pai” da 11. Pensem, a presença dele junta os pontos todos: os Russos, mesmo que já tivessem começado sozinhos, passaram a ser guiados por ele, avançando assim mais rápido do que os Americanos; Sabiam da existência de Demogorgons, tendo em conta o tamanho da jaula que vimos na base secreta, e só podiam saber disto se o Brenner lhes tivesse dito, porque as formas evoluídas do Demogorgon foram todas destruídas na segunda temporada (ou será que foram? – já lá chego); sabiam que o primeiro portal estava em Hawkins – uma base que, mesmo depois de fechada, nunca foi oficialmente exposta, numa localidade pequena; e o Americano era claramente importante para eles. O Hopper não podia ser tão importante, até porque ele não ia colaborar com os Russos assim na boa.

  1. Como é que os Russos arranjaram um Demogorgon?

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Então. Lembram-se do Demodog do Dustin? O D’Artagnan? Eu acho que ele cresceu e amadureceu até se tornar na versão adulta do Demodog: o Demogorgon.

O D’Artagnan não era como os outros Demodogs, ele conseguiu resistir ao controlo da hive-mind do Mindflayer, muito provavelmente por causa do carinho e atenção do Dustin para com ele.

Segundo a minha teoria, como o D’Artagnan se conseguiu separar do Mindflayer, quando ele morreu, ele foi capaz de sobreviver, provavelmente a caçar na floresta, ou nos túneis. Também há a questão do Mindflayer não ter sido completamente eliminado, o que podia, indiretamente, uma vez que o D’Artagnan já não estava sob o seu controlo, ter ajudado à sobrevivência do Demodog.

O Brenner informou os Russos sobre o Demogorgon e sobre Hawkins, e os Russos foram investigar antes de montarem a operação – uma coisa daquele tamanho não foi construída numa semana. Acabaram por encontrar o D’Artagnan, conseguiram capturá-lo, provavelmente com uma combinação de armas, número de pessoas, e da falta de maturação do D’Artagnan.

Acabaram por enviá-lo para a Rússia para o estudar, e os Russos foram-no alimentando com prisioneiros de quem não gostavam/já não precisavam. Acho que isto vai ser importante na quarta temporada, onde a amor que o Dustin deu ao D’Artagnan vai ser posto à prova, depois dele ter consumido carne humana.

É claro que o Brenner não tinha maneira de saber da existência dos Demodogs, mas ele podia assumir que o Demogorgon era demasiado poderoso para ser completamente travado, e mandou os Russos à procura dele.

  1. O Demogorgon dos Russos vai reproduzir-se? Vamos ter um novo Mindflayer?

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Para começar, eu não acho que vamos ter um novo Mindflayer. Se bem se lembram, o Mindflayer nasceu das lesmas que tinham infetado o Will. Lesmas essas, que só surgiram depois do Will ter sido infetado, e depois salvo do casulo do Demogorgon. Eu acho que a infeção por si só não é suficiente para produzir um Mindflayer. Ou pelo menos o Demogorgon dos Russos não é capaz de se reproduzir, porque os corpos que lhe dão só servem para o alimentar (segundo aquilo que vimos no final da temporada), pelo que ele não consegue infetar ninguém. Mesmo que um Demogorgon precisasse de duas vítimas, uma para alimentar as crias (Barbara) e uma para as incubar e fazer nascer (Will), o Demogorgon dos Russos, presumivelmente, não seria capaz de o fazer.

  1. Porque é que a 11 perdeu os poderes? Eles vão voltar?

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Eu acho que a 11 perdeu os poderes fundamentalmente por exaustão. Ela passou dias seguidos a usar os poderes, sem parar, sem descansar, sem sequer dormir. Já para não falar do esforço monumental que deve ter sido eliminar um Mindflayer que se tinha estado a preparar durante semanas, meses, se contarmos com os ratos. Já para não falar dos traumas físicos e psicológicos por que ela passou.

Acho que os poderes dela vão voltar, mas não sozinhos, ou seja, não acho que descansar e recuperar lhe vá devolver os poderes. Acho que todo aquele stress lhe criou uma espécie de bloqueio, e a morte do Hopper só piorou essa situação. Acho que a 11 vai ter que procurar a ‘irmã’, a Kali, alguém que a compreenda de uma maneira que nenhum dos amigos consegue, e ela vai ajudá-la a a sentir-se à vontade com os seus poderes outra vez.

Por hoje é tudo pessoal, se tiverem teorias ou opiniões sobre a série por favor comentem!

Beijos e até à próxima!

Joker

Desde já, peço desculpa à Inês… normalmente é ela quem publica sobre filmes inspirados pela BD… #sorrynotsorry

São raras as vezes que vou ao cinema, até porque tenho de me deslocar uns bons quilómetros para o fazer, mas quando o filme é de uma excelência total cada quilómetro vale a pena. Neste filme, Joaquim Phoenix é o actor que veste de forma extraordinária a pele Arthur Fleck.

Arthur vive com a sua mãe (Penny Fleck), cuida dela como o filho devotado que é, trabalha como palhaço numa pequena empresa e é doente mental. Arthur sofre de epilepsia gelástica. São ataques de riso incontroláveis e sem motivo aparente, embora quem veja o filme observe que estes ataques se dão quando Arthur se sente nervoso, triste ou com medo. Apenas os sentimentos negativos parecem ser o gatilho para estes ataques de riso, que deixam todos desconfortáveis à sua volta. Daí o pobre coitado, traga consigo uns cartões a explicar o motivo do seu riso descontrolado. Anteriormente já esteve internado num hospital psiquiátrico, agora apenas tem que realizar visitas obrigatórias para monitorizarem, não só o seu comportamento como os seus sentimentos, até que esse apoio social é cortado pelo estado.

No dia em que Arthur é demitido, no comboio tem um ataque de riso quando três jovens embriagados e bem parecidos (ricos) estão a incomodar uma senhora. E as atenções voltam-se para o desgraçado… “o que é que tem tanta graça?” Os três jovens começam a espancá-lo, até que… num momento faz-se um clique na mente de Arthur e este usa a arma que um seu colega (amigo do diabo) lhe deu e usa-a em legítima defesa. E é, ai, nesse momento que pela primeira vez sentiu poder. Poder sobre si e sobre os outros. Já ninguém lhe poderia fazer mal.

Nesse momento, e sem querer, Arthur deu inicio a manifestações violentas – a população de Gotham City está farta das políticas de um sistema que apenas favorece os ricos e que ignora e despreza quem é de classe inferior. Os manifestantes, em vez de condenarem a morte dos três jovens, viram isso como um sinal de vingança e de mudança, o símbolo que adotaram foi a cara de palhaço – a cara de Arthur quando este cometeu os homicídios.

Apesar de a sua vida não ser o mar de rosas que se possa imaginar, mantém o sonho de um dia ser comediante e assim, faz pequenas actuações de stand-up, com o seu peculiar estilo de humor. Até que um dia, quando estava a ver o seu programa preferido (que por acaso é de comédia), vê que é passado um clip de uma das suas actuações e que o homem que ele mais admira (o apresentador desse programa) goza com ele e chama-o de joker – como alguém que quer ser ou tenta ser engraçado e não tem piada nenhumaA humilhação que sofre para além de ser gigante, parte de alguém que ele admira. Vocês devem conhecer o sentimento, correcto?

Ainda assim, este foi convidado para o programa e aceitou. Todos podemos adivinhar o porquê de ter sido convidado.

A determinada altura Arthur, investiga o passado da sua mãe, e descobre que foi adoptado, que na sua infância foi violentado pelos namorados da sua mãe, negligenciado pela mesma e que esta foi internada no hospital por psicose e transtorno de personalidade narcisista e que esta fantasiou um romance com o seu empregador na altura – o Senhor Wayne. Isto, explica muita coisa. Também faz com que Arthur aceite quem realmente é. Tudo o que aconteceu na sua vida contribuiu para se ter tornado na pessoa que é.

Arthur prepara-se a rigor para o programa de televisão, vestido de palhaço. É oficialmente apresentado ao mundo como Joker e dá um discurso inesquecível.

Tomei conhecimento através das redes sociais que este filme foi proibido nos cinemas de alguns estados americanos e até de alguns países, devido à violência gratuita que apresenta. Na minha opinião – que vale o que vale! – essa decisão foi, uma tremenda estupidez, qualquer pessoa com dois dedos de testa (diga-se inteligência) e senso comum, repara que o que aqui é retratado é o doente mental e a sua estigmatizarão. Talvez tenha sido por abordar a doença mental desta forma que tenha sido proibido, porque se fosse pela sua violência, os filmes de terror e os de acção de certeza absoluta que não existiriam.

Acredito que, se alguém estivesse estendido a mão a Arthur (e sim, eu sei que é uma personagem fictícia, mas serve bem como exemplo), dado o devido apoio e demonstrado afecto, talvez nunca tivesse existido um Joker. Numa cena onde Arthur escreve no seu diário, pode-se ver que ele tem noção que quem tem uma doença mental não é aceite na sociedade como individuo, ele escreve algo do género “o facto de se ter uma doença mental é as pessoas esperarem que não te comportes como alguém que seja doente mental”. Contudo, não estou de maneira nenhuma a desculpabilizar os comportamentos violentos que Arthur – agora Joker – tem, devido à(s) sua(s) doença(s) mental(ais). Ninguém tem o direito de, por motivo for, tirar a vida a outra pessoa.

Peço desculpas a quem acha que contei praticamente tudo do filme… até sou capaz de o ter feito… Acreditem em mim, mesmo que vos tenha contado talvez quase 2/3 do filme, a sensação é completamente diferente se forem ver o filme. Eu não consigo de forma nenhum reproduzir através de palavras todas as sensações e sentimentos que o filme transmite através de imagens e sons.

Voltando a uma conversa mais “leve”, a verdade é que todos os fãs de BD colocaram uma enorme pressão sobre os ombros de Joaquim Phoenix, porque o anterior Joker, (sorry Leto) Ledger representou a personagem de uma forma realmente incrível. Ninguém estava à espera de uma performance tão extraordinária quanto esta. Como também ninguém estava à espera que um filme inspirado em BD fosse tão “pesado”… e levado a sério, criando polémicas e abrindo discussões.

Uma salva de palmas, meus senhores!

A Hipnotizante Escrita de Mia Couto

Para quem não sabe, Mia Couto é um escritor Moçambicano, por cuja escrita eu me apaixonei imediatamente.

Uma das razões principais para eu A-D-O-R-A-R a forma como o Mia Couto escreve, é a forma como ele utiliza o realismo mágico, um género também muito presente em “100 Anos de Solidão”, de Gabriel García-Márquez, e nas histórias da Isabel Allende. O realismo mágico é essencialmente a presença de “poderes”, presenças e influências sobrenaturais num mundo que, tirando isso, é normal, igual à nossa realidade. Acho que a ideia da existência de coisas fantásticas num mundo familiar, a ideia de que superstições e lendas, elas próprias familiares, efetivamente existem, é aquilo que mais me atrai no realismo mágico, é uma mistura perfeita.

Mas o estilo literário não é o único motivo pelo qual considero o Mia Couto um escritor maravilhoso. Ele é naturalmente capaz de escrever do ponto de vista de múltiplas personagens, sempre de maneira consistente com as suas personalidades e experiências de vida, mesmo quando se tratam de personagens e situações pelas quais eu tenho a certeza absoluta que ele nunca passou. Tais como, ser uma mulher duma tribo encurralada por guerreiros/assassinos de uma outra tribo rival, e cair ao chão, cortar-se e gritar, e fingir com sucesso que está a parir um peixe que na verdade acabou de pescar. Ya, isto é uma cena num dos livros. E nem é das mais estranhas. ADORO!

Isto leva-me a um outro motivo: a capacidade que o Mia Couto tem de escrever de maneira realista personagens imensamente distantes de si próprio. Estou-me a referir não só ao isolacionismo, culturas e rivalidades tribais, entre elas próprias e com os Portugueses, mas sobretudo à forma como ele escreve as suas personagens femininas. Os escritores homens, sobretudo aqueles de uma certa faixa etária, têm tendência para criar personagens femininas redutoras, mesmo quando têm boas intenções. Ou criam megeras autênticas, que por um lado são sádicas e horríveis, mas por outro acabam sempre por se apaixonar pelo protagonista; ou criam mulheres frias e distantes, basicamente demasiado masculinas, que negam e repudiam, quando não odeiam abertamente, tudo o que é feminino, incluindo outras mulheres; ou criam interesses românticos inocentes e virginais, mesmo que se tratem de prostitutas, ou de mulheres casadas há décadas, ou simplesmente de mulheres que assumem que gostam de fazer sexo, que o protagonista salva de uma qualquer situação horrível, garantindo assim a gratidão imortal do interesse romântico; ou criam mulheres fortes e independentes, que na verdade não têm personalidade nenhuma, e acabam por depender do protagonista para quase tudo.

Mas não o Mia Couto. O Mia Couto consegue pôr-se no lugar das suas personagens femininas, expondo os seus medos e as obrigações e tradições que se sentem obrigadas a cumprir. Consegue criar personagens multidimensionais e complexas, cujas ações e decisões fazem sentido. Mia Couto não tem medo de criar personagens odiosas, nem personagens complicadas, que sendo boas tomam decisões más ou cruéis, nem sempre de forma justificada, e vice-versa.

Acho que é fundamentalmente isto que eu amo na escrita do Mia Couto: ele é destemido. Não tem medo de criar personagens realistas, que num capítulo nos têm completamente do seu lado, e no capítulo seguinte nos fazem querer gritar de frustração. E sobretudo não tem medo de mostrar o quão feio o mundo e os seus habitantes podem ser. Sem nunca ser gráfico, sem representar violência de forma gratuita, e sem glorificar a violência, Mia Couto escreve e descreve cenários de guerra e realidades saídas de pesadelos, de uma forma que, pessoalmente, não me incomoda por aí além. O exemplo mais flagrante disto que encontro tem a ver com o tópico de agressões sexuais. Um tópico que, devido à sua natureza horrível, eu procuro evitar, até porque quando aparece em obras de ficção acaba por ser de alguma forma mal feito, na minha opinião. Mas o Mia Couto, não sei como, consegue abordar esses temas, e a frequência horripilante com que eles ocorrem, de uma maneira que não me incomoda. O facto de ele se colocar sempre do lado das vítimas, deste tipo de agressões mas não só, também ajuda.

Acho que este último ponto é também algo que eu adoro e admiro imenso: ele não tem medo de dizer claramente quem tem e não tem razão. Ele não tem medo de apontar que as mulheres eram/são mais vitimizadas do que os homens (até porque nos seus livros, por norma, os homens sofrem nas guerras, mas mulheres sofrem também durante tempos de paz, só mudam os agressores – parafraseando uma frase do próprio autor), nem tem medo de enumerar e descrever todas as porcarias que os Portugueses fizeram, e as atrocidades que cometeram, por uma variedade de razões. Ele não tem medo de criticar. E eu amo isso.

Por hoje é tudo pessoal, beijinhos e até à próxima!

The Hustle

Olá, olá, mais um filme sobre vigaristas! Yah!

O filme apresenta-nos em primeiro lugar Penny Rust (Rebel Wilson), uma australiana descontraída a tentar enganar um homem que aparentemente adora mamas tamanho copa C ou D (existe sequer o tamanho copa D?!)… O que ela faz é catfish e quando chega a altura de os homens que ela engana a conhecerem, bem, há toda uma decepção. Eles estavam à espera de uma “boazona copa C”, mas o que lhes surge à frente é uma mulher gordinha. Totalmente o contrário do que eles estavam à espera, porém Penny conta-lhes uma história que as vítimas mais superficiais acreditam… e em seguida se arrependem. Penny é uma vigarista em ponto pequeno, até tomar conhecimento de que algures em França existe um mercado de homens ricos prontinhos a ser vigarizados. E ai vai Penny… até conhecer Josephine Chesterfield (Anne Hathaway – Anne já é o segundo filme sobre vigaristas…), uma britânica cheia de classe, no comboio. A questão é que Josephine também é uma vigarista e não quer mais ninguém no seu território.

Penny desconhece que Josephine também é uma vigarista, e podem adivinhar, é enganada. Uma vigarista enganada por outra vigarista. Porém assim que a nossa divertida australiana descobre que foi enganada por outra vigarista com uma vida de luxo, e ela quer aprender tudo!

Mas as duas acabam por não se dar assim tão bem… e entram em colisão. Apostam então, que a primeira a conseguir enganar um jovem e ingénuo bilionário do ramo da tecnologia fica em França e a outro é obrigada a desistir de vigarizar ai. Ambas recorrem a tudo o que sabem e a tudo o que aprenderam uma com a outra, ou seja, mudam o seu estilo de aproximação com base com o que aprenderam uma com a outra.

Penny a meio começa a mudar de ideias e a não querer enganar o jovem trapalhão, mas Josephine mantém-se implacável.

O que adorei neste filme foi o twist final. Afinal de contas o jovem não era assim tão ingénuo…

Nenhum homem acredita que uma mulher é mais inteligente do que ele” – Josephine Chesterfield

The Dead Don’t Die

Não sou grande fã de filmes de terror com zombies, excepto, claro, os filmes da saga de Resindent Evil! Este filme é um filme é uma comédia de terror (continuou a não saber como denominar este tipo de filme).

Bem-vindos à pacata e pequena cidade de Centerville, onde a vida decorre na sua perfeita normalidade… até que um dia, a noite demorou a chegar devido ao a um acontecimento gigantesco:  o eixo do Planeta Terra desvia-se; e acontecimentos estranhos começam a surgir.

Os animais começam a comportar-se de forma estranha e a fugir, o que por si só é um excelente sinal de que alguma coisa está a correr mal. É o que normalmente fazem quando está prestes a acontecer um desastre natural.

Começam a acontecer mortes macabras. A maioria (digamos as pessoas normais), acreditam que sejam ataques de animais selvagens. Mas o Officer Ronald concluiu que são zombies. Sim. Zombies. E por mais estranho que isso pareça, todos acabam por concordar com a ideia e preparam-se para uma luta contra os não mortos.

Um filme tão pacato quanto a cidade onde decorre a história, com comédia e com uma pontinha de terror. Não é dos meus favoritos, mas para meu espanto foi nomeado para prémios e até ganhou alguns deles.

O facto de serem recorrentes citações ou alusões à Guerra das Estrelas, porque o actor Adam Driver é o Officer Ronald, é inteligente e sim, é cómico.

The Dead Don’t Die, não é um filme para ser levado a sério, mas é um filme que trás algumas gargalhadas.

“This is gonna end badly”

Deixo-vos aqui o trailer

E aqui a música do filme (olha a ironia)

Variações – O filme

Hoje fui finalmente ver a grande homenagem em formato de filme biográfico de António Variações.

O inicio de filme mostra algumas cenas da infância de António Variações (António Joaquim Rodrigues Ribeiro), primeiro nas festas religiosas da sua aldeia, de seguida a trabalhar na fábrica e a aprender a tocar cavaquinho. Os seus pais eram agricultores e tinham uma vida simples. Porém António queria mais, um dia ao jantar, confessou quase em lágrimas que não queria ir mais trabalhar para a fábrica. António queria ir para Lisboa.

E nisto, passamos para a vida adulta de António Variações já emigrado na Holanda com a profissão de barbeiro (como costumava gostar de ser chamado). Veio para Portugal para o funeral do pai e por cá ficou porque alguém da rádio lhe estendeu a mão para entrar para o mundo da música. Alguém finalmente tinha visto potencial nele, na sua voz, nas suas composições e no seu estilo excêntrico. António Variações era a lufada de ar fresco que a música portuguesa necessitava.

Conseguimos observar o seu processo de criação musical durante todo o filme, é-nos dado a conhecer músicas menos famosas e observamos principalmente a luta que travou para conseguir assinar um contrato e principalmente conseguir com que as suas músicas fossem gravadas.

O filme está brilhante, conseguindo captar na minha opinião, o sentimento de incompreensão que António Variações sentia e que se pode verificar em algumas das suas músicas. Para mim, teve uma carga emocional bastante grande, o que me surpreendeu. Saí da sala do cinema com bastante tristeza, pois apesar de aparentemente António Variações ter aproveitado a sua vida ao máximo… havia ainda tanta coisa para fazer… ele iria fazer a abertura do concerto de Amália Rodrigues e não conseguiu realizar esse grande sonho e honra que seria estar no mesmo palco com a sua maior inspiração. Na última cena do filme, já internado no hospital – possivelmente nos seus últimos dias de vida -, ouves se  a ecoar pelo hospital a sua voz, o entoar de uma das suas músicas.

António Joaquim Rodrigues Ribeiro, morreu  com 39 anos, no dia de Santo António, com broncopneumonia e especula-se que terá sido causada pelo vírus da SIDA, se ainda hoje estivesse vivo teria 75 anos.

Apesar de o filme ter consegui captar momentos chave da vida de António Variações, sinto que há ainda tanta coisa que poderia ser mostrada, sinto que o que nos foi dado foi apenas uma gota de água de um oceano vasto. Dou os parabéns ao actor que interpretou António Variações.

Agora façam um favor a vocês mesmos e vejam o filme.

Não sei se nasci para ser feliz.” – António Variações

Aqui está o trailer do filme

 

Deixo-vos um micro-pedaço de uma entrevista

 

E finalmente uma música sua

Ocean’s 8

Sim, senhores e senhoras… os filmes que outrora eram quase e exclusivamente com personagens principais masculinas estão a mudar e agora as personagens principais são femininas! Sendo que não era necessário tal coisa, se houvesse um equilíbrio, mas como não há… gritem comigo: MULHERES AO PODER!!!!

Debbie Ocean (Sandra Bullock) acaba de sair da prisão, em liberdade condicional e está proibida de entrar em contacto com criminosos… porém Debbie é irmã do (pressupõe-se) falecido Danny (George Clooney)… Sei que não preciso explicar mais, porque tenho a certeza que vocês, tal como eu, viram todos os filmes de “Ocean’s”… então, ser vigarista está-lhe no sangue. Qual é a primeira coisa que ela faz depois de sair da prisão? Enganar funcionárias de lojas de artigos de luxo e uma funcionária de um hotel de luxo – faz com toda a descontracção possível e estilo. Damn girl!

Debbie esteve na prisão durante cinco anos, e durante todo esse tempo “livre” planeou executar um assalto na famosa, glamorosa e extravagante Met Gala. O tema da Met Gala são as jóias da realeza europeia, onde estão em exibição as mesmas. A ideia é fazer com que as jóias saiam do cofre. E o ideal é colocar o colar mais valioso no pescoço da anfitriã da Met Gala para a seguir o roubar e substituir por uma imitação. Okay, bastante mais fácil falar do fazer correto? Para Debbie é bastante fácil, ela teve tempo mais do que suficiente para planear tudo ao pormenor – toma Danny!

Como irão observar, este assalto não é pura e simplesmente um assalto, Debbie, quer matar dois coelhos com uma cajadada só… eu vou falar do primeiro coelho – que é o assalto, para vocês saberem qual é o segundo coelho, têm de ver o filme

Para concretizar o assalto vai precisar da ajuda de badass girlfriends: Lou (Cate Blanchett) – a sua melhor amiga; Daphne Kluger (Anne Hathaway) – a anfitriã da Met Gala; Rose (Helen Bonham Carter) – a estilista; Amita (Mindy Kalling) – especialista em jóias; Nine Ball (Rihanna) – hacker; Constance (Awkwafina – desafio-vos a dizer o nome desta fantástica actiz, compositora e rapper!) – ladra/carteirista; Tammy (Sarah Paulson) – contrafacção/roubo a camiões (that’s BIG!) e o desprevenido Claude Becker (Richard Armtage) – traficante de arte, coitado nunca soube o que estava a fazer.

O detalhe do plano do roubo é excelente, porque para além de ter alguém infiltrado na organização da Gala, também tem alguém que consegue aceder ao sistema de segurança das câmaras, outras pessoas para fazerem com que o colar seja cedido temporariamente, outra pessoa para copiar o colar e por ai, e por ai…

Querem passar um bom bocado a ver um bando de mulheres super inteligentes, talentosas e lindas a roubar com extrema classe e categoria? Então este filme é para vocês.

O que mais me espantou, foi o facto de várias figuras famosas realmente surgirem no filme, durante a “Met Gala” e exactamente com o mesmo vestuário que usaram na verdadeira Met Gala! Além de que, todas as personagens do filme também o fazem, lembrem-se que o filme estreou após a Met Gala. Foi um golpe de génio.